terça-feira, 25 de setembro de 2012

Assim o amor


LATINDO

Este o amor que não foste
nem nunca serás
de tanto o amar
esgotaste-o
olhando a frio
o teu delírio.

Este o amor que não foste
nem nunca serás
de tanto o tocar
apagaste-o
em contrário, inusitado
caminho.

Este o amor que não foste
nem nunca serás
de tanto o escreveres
gastou-se,
no labor
de uma gélida surdez.

Este o amor que não foste
nem nunca serás
de tanto o contemplares
fugiu-te
incapaz de suportar
a página
e o seu branco uivo.
Ana Marques Gastão,In “ Nós / Nudos “, Gótica, 2004

De Amor nada Mais Resta que um Outubro

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia, in “Poesia Completa”, Ed. Dom Quixote
Assim o Amor

Assim o amor
Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Obra Poética”, Ed. Caminho

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A vitória nossa de cada dia

“Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si." Clarice Lispector, in “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres”

"E então tu não quiseste mais nada. E paraste com a possibilidade da dor, o que nunca se faz impunemente. Paraste apenas e nada encontraste além disso. Eu não digo que tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. Não essa tua voz baixa e doce. E eu não choro, se for preciso um dia grito. Estou em plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que tu, mas é vitória. Eu já poderia ter-te com o meu corpo e a minha alma. Esperarei nem que sejam anos até que também tu tenhas corpo-alma para amar. Nós ainda somos novos, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olha para todos ao teu redor e vê o que temos feito de nós e a isso considerado a vitória nossa de cada dia. Não temos amado acima de todas as coisas. Não temos aceitado o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido já catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmo construímos, tememos que sejam armadilhadas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado salvar-nos, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de sermos inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer o seu contexto de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que a nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o medo maior e por isso nunca falamos do que realmente importa. Falar do que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado fraqueza à nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso chamamos a vitória nossa de cada dia." Clarice Lispector, in “Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres”,  Ed. Relógio D’Água, 1999

Recensão:
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
de Lispector, Clarice, Ed. Relógio D’Água, 1999
recenseador: Jacinto Lucas Pires, 2005 in “ Rol de Livros”, Leitura Gulbenkian

Este romance, verdadeira obra-prima de Clarice Lispector, conta a história do amor de Lóri e Ulisses – e, de certo modo, também a história do contar dessa história, que é feito na primeira pessoa pela mulher, Lóri ou Loreley –, falando-nos ainda, com assombrosa lucidez, de tudo o resto à volta. O que dificilmente tem nome e que a um olhar corrente parece tantas vezes ínfimo demais para valer uma frase; os milhares de partículas que compõem uma vida – a vida (Clarice ensina-nos que em todo o “um” há um “o” espreitando). 
“Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres” é a história de uma ligação demorada, dolorosa e feliz. Mas é também – como talvez todos os romances da escritora brasileira – a procura de uma identidade e de um pertencer. Uma procura tremenda, e tremendamente livre, que se confunde com a busca de uma linguagem outra, mais justa e mais calada, mais próxima do concreto das coisas, isto é, do seu mistério. Palavras desconcertantes de tão claras. 
Um contar em que se unem narrativas exteriores e interiores, o espiritual e o sexo, com a naturalidade de quem inventa um falar, de quem vê pela primeira vez, com o poder puro de uma permanente interrogação. A história, sem resumo possível, de uma mulher que se chama Lóri e que se chamará só “Eu”.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ao Domingo Há Música


Por vezes de um poema concluído

Por vezes de um poema concluído
subsiste um aroma frágil instantâneo
que acende sobre nós uma ingénua estrela
que ilumina os nossos gestos
e aligeira os passos sobre as pedras claras.
António Ramos Rosa , in “ A intacta ferida”,1991, Ed. Relógio D’ Água



A música também faz subsistir os acordes do coração quando o encanto que dela emana reacende o fulgor que o  sustém . A voz prodigiosa de Freddie Mercury empresta ao talento das suas composições uma indizível prodigalidade musical que perpetuará, na história da música universal, audições de  inefável  prazer. Em "Who wants to live forever" acontece um desses momentos que poderá  aligeirar  os passos  sobre as agrestes arestas deste castigado luso território, num Domingo de Setembro.

sábado, 22 de setembro de 2012

O peso da austeridade



Portugal’s austerity measures
The tipping point
How much austerity is too much?
Sep 22nd 2012 | LISBON | from the print edition “ The Economist”

"A FORTNIGHT is a long time in the euro crisis. In two short weeks Portugal has gone from being a model pupil, praised in Brussels and Frankfurt for steadfastly pressing ahead with a reform programme tied to a €78 billion ($101 billion) bail-out to a cautionary example of the dangers facing governments which attempt to push austerity beyond the tolerance of long-suffering voters.
With his decision to finance a reduction in company costs through a sharp cut in workers’ take-home pay, Pedro Passos Coelho, Portugal’s prime minister, appears to have taken reform past the limit of what is deemed acceptable by large parts of the electorate. Until then, voters had accepted successive rounds of belt-tightening with grudging resignation.
The prime minister is proposing to cut employers’ social-security contributions by 5.75 points, to 18% of their wage bill. By reducing labour costs in this way, he hopes to boost employment, push down prices and increase Portugal’s export competitiveness. What makes the reform such a bitter pill for workers is that their social-security contributions will increase from 11% to 18% of their pay to finance the measure.
In the 15 minutes that Mr Passos Coelho took to announce his scheme on television earlier this month, he performed the remarkable feat of uniting not only the opposition parties against his “intolerable” plan, but also trade unionists, big business and economists. The move also opened a potentially irreparable breach between the two parties in his governing coalition. By the following weekend, hundreds of thousands of peaceful demonstrators had taken to the streets in Portugal’s biggest anti-austerity protest to date.
Aníbal Cavaco Silva, the president, will convene a meeting of the Council of State, his top advisory body, on September 21st. The president’s chief concern is to prevent this unexpectedly vehement backlash from developing into a full-blown political crisis that would demolish the international confidence that Portugal has gradually gained over the past year through painful sacrifice and meticulous adherence to its three-year adjustment programme.
António José Seguro, leader of the centre-left Socialists, the main opposition party, described the proposal as an “immoral and unacceptable” transfer of workers’ earnings to their bosses. It was, he said “a social experiment” never tried before anywhere in the world. Unless the proposal is withdrawn, the Socialists, supporters of the bail-out, but not the prime minister’s policies, will table a censure motion against the government. Potentially more damaging for Mr Passos Coelho, who enjoys a comfortable majority in parliament, is the growing threat of a rift in his Social Democratic Party’s hitherto solid coalition with the conservative People’s Party, led by Paulo Portas, the foreign minister, who argued against the social-security transfer.
Faced with such widespread opposition and the risk that some government MPs could rebel in a crucial October vote on the 2013 budget, the prime minister is widely expected to modify, if not fully retract, his plan. This could spare Portugal a destructive political crisis. But it will be too late to save the prime minister from the damage that has already been inflicted on the government coalition and his own standing with hard-pressed voters.
Mr Passos Coelho’s policies may have succeeded in emphasising Portugal’s differences from Greece. But he is also discovering that austerity cannot be pushed past a limit that is determined by voters, whether they are violently rioting in Athens or marching peacefully in Lisbon."


A consciência da rua
Por Baptista Bastos
“As imponentes manifestações que chamaram, às ruas de quarenta cidades portuguesas, um milhão de pessoas, possuem um significado que se não exprime, apenas, pela grandeza dos números. Elas são um despertar da consciência cívica nacional e um rebate contra os perigos que este Governo corporiza. Não foi, somente, como alguns pretendem fazer crer, um desagrado ante a anunciada taxa social única. Essa propositada intenção pretende minimizar a extensão do protesto. Os que foram para as ruas demonstraram a sua repulsa por Pedro Passos Coelho e pela inexcedível incompetência maléfica da ideologia que representa. O homem empurra o País para o abismo, e é urgente impedi-lo de o fazer.
António Capucho veio a terreiro advertir-nos. Habitualmente reservado e cuidadoso, as circunstâncias levaram-no, na televisão e no jornal I, a propor a necessidade de "um Governo de salvação nacional, mas sem Passos Coelho". Classificando os propósitos do primeiro-ministro de "ultraneoliberais", afirma: "O Governo não está com falta de apoio das pessoas; o Governo está com o ódio das pessoas."
Capucho é a ponta do icebergue de descontentamento e fúria que lavram e alastram no PSD, onde numerosos dirigentes e outros se interrogam sobre a legitimidade dos actos governamentais. A aplicação deste sistema de domínio, sem regras e sem limites morais, requer um método de respostas de que a natureza dos protestos de 15 de Setembro foi, unicamente, uma expressão serena. Porém, não deixou de ser a exposição de um outro poder, o popular, enfrentando e contestando o outro, por injusto e agressivo.
É preciso não esquecer de que, por vezes, a legalidade, ao exceder- -se, se inscreve na ordem de uma violência que a coloca fora da lei. É o que tem acontecido. Um preopinante anunciou, enfaticamente, ter Passos Coelho perdido o País. Não se perde o que se não tem, e se houvesse dúvidas acerca da impossibilidade de qualquer Governo deter a afeição de um país, as manifestações que chamaram às ruas um milhão de portugueses dariam que reflectir.
Como escrevi, nesta coluna, na última quarta-feira, o ciclo fechou-se sobre Passos e a sua obstinada soberba. E ainda não se registara a explosão ética de cidadania. Depois, surgiram as declarações de Paulo Portas. As características de uma coligação já trémula na essência assinalaram a proximidade da ruptura. Portas é uma personalidade cuja dualidade se conhece. As exigências de uma generalidade governamental não lhe calham bem. E Passos Coelho é suficientemente sobranceiro e autoritário para ceder a vez e desaproveitar a voz. Os dados estão lançados. Mas a alternativa é inexistente. A não ser que a consciência cívica se erga, de novo, e exija que esta nefasta indigência entre o PS e o PSD seja substituída por outras possibilidades. Que as há.”
Baptista Bastos em Artigo de Opinião publicado no DN de 19/09/12

Veja aqui : Notícias da manifestação em Belém
Protestos voltaram a rua para forçar conselheiros a ouvir o povo (COM VIDEO)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Som Brasil

A elegância de um grande músico brasileiro que se mantém discreto apesar do sucesso e da popularidade. A música popular brasileira é rica e diversa. Paulinho da Viola é um dos seus ícones.

Livros que são notícia em França


Le Festival America accueille Toni Morrison à Vincennes
Le prix Nobel de littérature 1993, présente au festival America de Vincennes, vient de publier son dixième roman, “Home”, exploration de la violence et du racisme dans les Etats-Unis des années 1950. Il fait partie de ses quatre meilleurs.
Toni Morrison, les quatre livres à lire en priorité:
 “Beloved”, prix Pulitzer 1988
A la fin du XIXe siècle, Seth égorge par amour sa petite fille pour qu'elle ne devienne pas une esclave. Elle est hantée par ce meurtre jusqu'au jour où une mystérieuse adolescente, Beloved - elle a une profonde cicatrice sur la gorge -, croise son chemin. On ne sait si elle est la réincarnation du bébé sacrifié ou le symbole d'une possible rédemption, afin d'exorciser le passé... Tout l'art de Toni Morrison est dans cette ouverture symbolique, comme dans presque tous ses romans. Avec une écriture formidablement "jazzée", parce que la musique est aussi une des clés de l'oeuvre du Prix Nobel, dont les mots envoûtés et envoûtants flamboient comme des soleils noirs.
“Un don”
Nous sommes à la fin du XVIIe siècle, lorsque les communautés indiennes furent décimées par les épidémies et les conquêtes. C'est dans ce monde chamboulé que débarque un couple d'Européens qui dirigeront une ferme isolée à grands renforts de domestiques. Parmi eux, Lina, la servante indienne qui veille sur la jeune Florens, inconsolable depuis qu'elle a été arrachée à sa mère... A ces deux voix de femmes blessées, la romancière ajoute celle d'une esclave rescapée d'un naufrage - la petite Sorrow -, tout en jetant un long travelling sur une époque enchaînée à ses superstitions. Dans ce récit polyphonique où se mêlent enquête ethnographique et épopée historique, Toni Morrison analyse remarquablement les premières tensions raciales en Amérique. Et signe une parabole qui raconte la naissance traumatique de son pays.
“Paradis”
Nous sommes au fin fond de l'Oklahoma, "en plein milieu de nulle part", dans la petite ville de Ruby, un eldorado fondé en 1950 par des Noirs, afin d'oublier les crachats des Blancs, le mépris et la haine. Mais les murailles de cette Babel idyllique finiront par s'écrouler. Parce que les mâles imposent leur loi d'airain. Parce que le puritanisme fait rage. Parce qu'on se met à regarder d'un sale oeil les métis qui n'ont pas la peau assez noire... Et puis, il y a ces étranges malédictions qui planent sur la ville : cinq "sorcières" un peu délurées mais inoffensives, qui squattent un ancien couvent, à 25 kilomètres de Ruby... Tableau d'un éden transformé en enfer, satire des utopies faussement rédemptrices, terrible réquisitoire contre l'intégrisme racial, ce roman est un feu d'artifice de magie et de violence.
“Home”
Une fulgurante novela où se confesse Frank Money, un Noir traumatisé par les violences dont il a été le témoin pendant la guerre de Corée. Sa seule devise, c'est de "rester envie" et, lorsque sa soeur Cee l'appelle au secours, il la rejoint à Atlanta en traversant une Amérique férocement ségrégationniste. Ensemble, ils retrouveront le village de leur enfance, un village où ils ont passablement souffert, et leur pèlerinage ressemble à la fois à un règlement de comptes et à un exorcisme. Un récit où Toni Morrison explore la violence sous toutes ses formes - politiques, raciales, familiales - dans l'Amérique des années 1950. “Par André Clavel (LEXPRESS.fr), publié le 20/09/2012 à 15:00, mis à jour à 16:24
Festival America, du 20 au 23 septembre 2012, Vincennes (Val-de-Marne). 


Un somptueux roman de Jérôme Ferrari
 « Le Sermon sur la chute de Rome », de Jérôme Ferrari, lève à lui seul les doutes émis par certains sur la littérature française contemporaine : trop hexagonale, trop biographique, trop narcissique...
Fiction pure, il déroule une histoire improbable moins attachante par son développement baroque que par les caractères qui l'animent, saisis en connaissance d'une terre corse à nulle autre pareille. Tutoyant le conte philosophique, il est fondé sur une pensée frottée - par la fréquentation professionnelle de son auteur -, aux esprits les plus brillants : "le meilleur des mondes possibles" de Leipniz, le Sermon sur la chute de Rome de Saint-Augustin, présenté ici moins comme une élévation de la pensée humaine qu'un éloge de sa boutique religieuse triomphant du paganisme. Et encore : Jérôme Ferrari est un sceptique, il sait que l'âme humaine toujours retourne à ses abysses et la construction des empires à leur effondrement : le meilleur des mondes possibles "avant la chute" ! Ce livre, enfin, jouit d'une écriture somptueuse, violente et sensuelle - " Autour de l'abbaye du Mont-Cassin, les longues tresses des goumiers surgissent de terre comme des fleurs exotiques que caresse tendrement une douce brise d'été " -, faite de longues phrases enveloppantes, digne des meilleures proses classiques nourries au lait de la culture latine et de la dialectique grecque. Les lecteurs avisés d'Un Dieu un animal et d'Où j'ai laissé mon âme sont familiers de ce style incandescent ; s'y ajoute ici une légèreté grinçante qui fait vibrer le marbre. Au bout, je ne suis pas loin de croire que ce roman puisse être désigné comme le champion de cette rentrée. Par Dominique Léger ( L’Express Culture)

  • La note de Philippe Delaroche : 3
    Deux étudiants originaires de Corse prennent la gérance d'un bar qu'ils souhaitent transformer en "meilleur des mondes possibles". Dans son cinquième roman, Jérôme Ferrari s'interroge sur la pureté des âmes, les échecs et les désillusions.
  • Deux étudiants décident de devenir les nouveaux gérants d'un bar corse. Le Sermon sur la chute de Rome dépasse sa trame régionaliste pour atteindre des accents mythologiques, où Jérôme Ferrari nous interroge sur la fin d'un monde, les conditions de l'échec et la tentation du mal.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acordo Ortográfico, uma ameaça à Língua Portuguesa


PEN Internacional: Acordo Ortográfico
"Evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa"
O PEN Internacional, organização não-governamental de escritores com 144 centros em mais de 100 países, manifestou "evidente preocupação pela ameaça à Língua Portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990", informou hoje o PEN Clube Português.
Em comunicado, o PEN Clube Português afirma que, no 78.º Congresso do PEN Internacional, que terminou Domingo na Coreia do Sul, " foi aprovada por unanimidade uma resolução do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos que manifesta uma evidente preocupação pela ameaça à língua portuguesa representada pelo Acordo Ortográfico de 1990 [AO/90] ".
No Congresso, que reuniu 87 centros de todo o mundo, a maioria dos escritores presentes manifestou "incredulidade" e interrogou-se "como se teria chegado a tal situação", afirma o PEN Português.
Segundo o comunicado, na apresentação do tema na Coreia do Sul, a presidente do PEN Clube Português, Teresa Salema, manifestou a "preocupação pela situação com que um número crescente de escritores e tradutores se vê confrontado", nomeadamente pelo facto de muitos não se identificarem com AO/90 ou "de deixarem que os seus textos sejam convertidos para uma ortografia que lhes é alheia, ou de não verem as suas obras publicadas".
Uma preocupação que "foi por todos sentida como um problema complexo", atesta o PEN Clube Português.
"Também os tradutores que em princípio não pretendam seguir o AO/90 se vêem submetidos às imposições administrativas e comerciais", refere o comunicado, citando a resolução aprovada pelo PEN Internacional.
Segundo a resolução aprovada, "tentar centrar uma língua em prioridades administrativas e/ou comerciais é enfraquecê-la ao atacar a sua complexidade e criatividade inata, a fim de promover métodos burocráticos de natureza pública e privada".
Na resolução aprovada afirma-se que, "no que toca ao Inglês, houve tentativas equivalentes para uma aproximação universal no tempo do Império Britânico. Contudo, a força das regiões anglófonas (situação similar à do Português) levou a que tais regras tivessem sido quebradas tanto internacional como naturalmente".
"A força do Inglês actual é amplamente atribuída à sua abertura face às diferenças -- a diferentes gramáticas, ortografias, palavras e, na realidade, significados. Uma das características mais positivas de qualquer língua internacional é o facto de palavras, ortografias, gramática, frases e sotaques assumem significados assaz diferentes como resultado de experiências locais ou regionais", frisa a resolução que acrescenta que "o mesmo argumento poderia ser apontado para explicar a força crescente do Espanhol como língua internacional".
"Duvidamos muitíssimo que essa proposta de estandardização produza outros efeitos além de burocratizar os textos usados nas escolas, separando assim os alunos da real criatividade da língua portuguesa, nos planos regional e internacional", lê-se na mesma resolução.
Segundo o comunicado do PEN Clube Português, no debate da resolução houve intervenções de vários centros, nomeadamente por parte do Centro PEN galego que manifestou "a sua afinidade na diferença linguística [...] reiterando o seu apoio incondicional à Declaração".
"Também o Centro PEN alemão repudiou firmemente a ingerência de autoridades governamentais em assuntos linguísticos de reconhecida complexidade", lê-se no mesmo comunicado, segundo o qual, "o Presidente do Comité de Escritores para a Paz sublinhou a sua preocupação pela divisão -- e possível aumento de conflitualidade - que tais medidas estão a causar entre os cidadãos portugueses".
"Todos sentiram ainda o carácter nocivo e desestabilizador de uma medida que fere os princípios pedagógicos da democracia, nomeadamente a intenção de contribuir para um aprofundado contacto de amplas camadas das populações com a diversidade linguística e a herança cultural". Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral, em DN de 17/09/2012

Eventos culturais e literários


Conferência de Seth Siegelaub

Galerista e editor ligado ao movimento da arte conceptual que marcou a cena artística norte-americana da segunda metade do século XX, Seth Siegelaub conversará sobre livros de autor nos finais dos anos 60, no Auditório 3 da Fundação Gulbenkian, a 26 de Setembro, às 18h, no âmbito da exposição Tarefas infinitas, quando a arte e o livro se ilimitam.
Ver mais

As cores do pensamento - A arte abstracta dos neurónios
mostra ao ar livre
De 25 set 2012 a 25 out 2012
Das 10:00 às 20:00
Jardim Gulbenkian e Terreiro do Paço
Entrada livre

Associada ao Fórum Gulbenkian de Saúde 2012 “Brain.org” (9 e 10 de outubro), esta mostra ao ar livre exibe um conjunto de painéis onde representações visuais do cérebro em grande formato estão em correlação com reproduções de obras de arte, algumas das quais pertencentes às coleções do Museu Gulbenkian e do CAM. As representações visuais do cérebro aqui apresentadas são obtidas através de técnicas sofisticadas, utilizadas por eminentes investigadores que no mundo inteiro colaboram entre si transpondo fronteiras e produzindo imagens com cores vivas que parecem inspiradas em obras de arte.
Esta mostra é uma iniciativa conjunta do Edmond & Lily Safra Centre for Brain Sciences da Universidade Hebraica de Jerusalém e da FCG.


Antonio Silvera e Nuno Júdice na Fundação José Saramago
A Casa da América Latina e a Fundação José Saramago celebraram um protocolo de cooperação cuja primeira iniciativa é o programa Leituras Internacionais em Lisboa, um ciclo literário e intercultural que pretende trazer a Lisboa autores ibero-americanos que vão “ler o mundo”, num espírito de partilha das obras, de ideias e do prazer da leitura. Os encontros, nos vários géneros – do conto à crónica, do romance à poesia -, terão sempre convidados portugueses.
Para as 19h00 do dia 25 de Setembro (terça-feira) está programado, na Fundação José Saramago, um debate com os poetas Antonio Silvera (Colômbia) e Nuno Júdice, como convidado.
A Casa da América Latina vai publicar poemas de ambos os autores ao longo das próximas semanas:

A mãe
“Teria gostado de te conhecer
quando tinhas aquele gesto
da fotografia
e ainda faltávamos nós
no álbum.
Sabes,
ter-me-ias enamorado.”
Antonio Silvera in “Um país que sonha: Cem anos de poesia colombiana (1865-1965)”, trad. Nuno Júdice, selecção e prólogo Lauren Mendinueta, Assírio e Alvim 2012

O deserto de Atacama
“Há um vale onde a lua nunca desaparece, com
árvores de sal e rios de pedra, onde nos podemos deitar
à sombra do fogo e caminhar na corrente de pó
que o vento ergue de um chão de silêncio. Não tem fim;
o sol da tarde alimenta os arbustos secos com a
sua mão implacável; as montanhas ocultam
a maternidade gélida do seu bojo de inverno. Atravesso
este vale com o voo do flamingo que nasceu do nada;
e pinto-o com as cores de arco-íris que o pássaro
inesperado me trouxe.
Do verde, nasceu a erva que circunda um leito
de rio onde estagnou a água da primavera; do azul,
soltam-se os olhos que lembro quando o
horizonte os tinge de cinzento; do amarelo, as folhas
da árvore que um desejo de chuva mancha com o
seu veio castanho. Oh! se alguém pudesse habitar
estas cores, tocar a sua matéria de esquecimento,
respirar a sua atmosfera ferida pela seta de
um caçador de acaso! Invejo a sorte de quem
não conta o tempo pela areia espessa dos instantes,
e pousa no coração dos dias como a ave
colorida.
Grito-lhe, para que se detenha; mas
o seu espaço é o cume de onde se avista o outro lado
da paisagem – o oceano da vida
invisível dos sonhos.”
Nuno Júdice, in «As coisas mais simples», Dom Quixote, Lisboa, 2004


Documentários sobre Os Latino-Americanos
Data : De 26 de Setembro até 20 de Março
Hora : 19h00

Documentários realizados por jovens diretores e produtoras independentes sobre o que distingue e identifica os latino-americanos. Cada documentário mostra a identidade de um país, através do olhar do cineasta. Série de 12 episódios. 

"O que significa ter uma nacionalidade? [...] É a tal enigma que se entregam os jovens realizadores que aceitaram o desafio da série 'Os Latino-Americanos', produzida pela TAL (Televisão América Latina). [...] Nestes, o sinal comum mais evidente é a sobreposição da fragmentação à utopia da identidade. E é daí que o conjunto adquire sua maior força. Em vez de ceder aos encantos do folclórico ou buscar nas raízes uma suposta identidade fundada em bases míticas tampouco certas, os jovens documentaristas do projeto preferiram auscultar o presente. [...] A estratégia comum aos trabalhos é percorrer os países, entrevistando gente comum. Enquanto as perguntas tentam definir o 'uruguaio', o 'cubano' etc., as respostas permanecem no terreno dos estereótipos ou da generalidade, como 'somos gentis', 'somos acolhedores', 'somos criativos'. [...] Cada trabalho não perde de vista as especificidades locais, como práticas religiosas, misturas étnicas, efeitos de migrações, de políticas econômicas e de injustiças sociais. Mas o faz na perspectiva do sujeito, sem nunca dissolvê-lo sob instâncias generalizantes. Ao desfocar o fator nação e transferir a atenção para a perspectiva individual, a série desloca-se para a realidade, na qual os simbolismos ufanistas e os delírios fascistas do passado recente, até prova ao contrário, viraram velharias guardadas no baú"
 Cássio Starling Carlos, crítico da Folha 
Organização: Casa da América Latina e TAL.tv

7 e 26 de Setembro - Os brasileiros, Philippe Barcinski, 2011 (52’)

É possível definir o povo brasileiro a partir de seu gestual, de seu uso do corpo? António Nóbrega, Carlinhos de Jesus, Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira procuram responder a essa pergunta analisando suas trajetórias pessoais e as origens do samba, do frevo, do maracatu e de outras manifestações da cultura popular brasileira.

(encerramento curso de verão, no ISCTE-IUL. Entrada livre)

10 Outubro - Os chilenos, Aldo Oviedo T., 2011 (52’)

Desde o árido deserto do Atacama até às florestas frias da Patagônia, descobrimos personagens únicos, “guardiões do património nacional”, que lutam desde suas trincheiras para proteger a cultura do povo chileno; a semente que dá origem ao alimento, e terra e o mar, a ecologia, a música, raiz do folclore nacional, a cidade e a arquitetura, todos eles mostrarão a beleza deste território chamado Chile.

24 Outubro - Os uruguaios, Mariana Viñoles, 2006 (53’)

O que é ser uruguaio? Na tentativa de compor um panorama do pequeno país ao sul do continente americano, “Os Uruguaios” opta pelas palavras. A mulher que trocou a cidade pelo campo, um pequeno fazendeiro, um advogado bem sucedido, um imigrante italiano, um guarda florestal e um estudante, contam suas histórias, enquanto encontramos o espírito uruguaio impregnado nas águas do Prata, no tango de Gardel ou numa rua ensolarada.

7 Novembro - Os peruanos, Ernesto Cabellos Damián, 2008 (53’)
Em meio a tantas diferenças que podem ser encontradas em um país, existe um espaço onde toda uma nação se sente harmoniosamente integrada. No Peru, esse espaço é a cozinha. O documentário Os Peruanos – Panelas e Sonhos é uma viagem de exploração a um universo de cores, texturas, sabores e odores, que revela a história e a cultura de um povo.

21 Novembro - Os colombianos, Omar Rincón, 2006 (52’)
Los Colombianos não é um documentário, ainda que suas imagens sejam reais, nem uma ficção, ainda que devaneie sobre o que é a identidade colombiana. Para o diretor, trata-se de um ensaio. Um apanhado geral da Colômbia cotidiana, sem verdades absolutas nem depoimentos cheios de orgulho patriótico. Cidades, símbolos e pessoas flertam com a imaginação em um filme surpreendente.
5 Dezembro - Os mexicanos, Alejandro Strauss, 2006 (54’)
Através do contraste entre os estereótipos e a entrada da sociedade mexicana na pós-modernidade, o documentário mostra múltiplas faces do México atual. O diretor busca derrubar a visão homogênea sobre o país construída pelo olhar europeu. Através dos discursos dos mais variados entrevistados, torna-se claro que o México é formado por “muitos países dentro de um só”, como define o director.