A escalada da violência nos tempos actuais atenta contra a dignidade humana, sem qualquer regra ou pudor. O quotidiano está repleto de cenas reais dessa violência, das mais diversas formas de barbárie , que vão assumindo proporções “espantosas”, mas que, para assombro, já não causam tanto espanto.
Trata-se de uma violência que se alastra e se banaliza pela continuidade com que se desenvolve e intensifica, Assim e em consequência, enquanto a dignidade humana se vai desgastando, pela banalização da violência, o valor da pessoa também se vai corroendo. Torna-se crucial evitar que haja a corrosão completa daquele valor, por causa da violência que se escancara diariamente.
Os princípios que devem orientar o “ethos” do coexistir humano, cuja base pretende ser a busca pelo mais profundo respeito de um pelo outro, para se firmar num sempre renovado esforço e num constante reforço de pessoalização das relações humanas, há muito que foram definidos. E esses princípios, como assinalou Guy Durant, não se podem afastar de pelo menos dois aspectos primordiais: “o respeito à vida e à autodeterminação da pessoa.” (1995, p. 31)"
Recordamos os principais:
LIBERDADE - A liberdade é um direito fundamental que nunca deve ser alienado; faz parte da pessoa humana como pertença intrínseca e definidora do seu agir.
Ser livre pressupõe que se exerce, em plenitude, o direito de ser e de ter um nome, um lugar para construir uma narrativa identitária e única. Quando se exclui a alguém esse direito, a liberdade jaz e faz jazer quem a usurpa.
Os usurpadores dos direitos fundamentais são os que atentam contra a universalidade da humanidade. A eles se dirigem as vozes da revolta, da ira e da razão.
IGUALDADE - "o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo."
DIGNIDADE _ "O que se pode dizer é que a dignidade humana implica mesmo um valor sublimado, cuja base de afirmação é a própria natureza de cada ser humano que merece o máximo de protecção. E ela também inclui as noções cruciais de racionalidade, liberdade e finalidade em si, as quais fazem desse ser humano alguém em permanente desenvolvimento, na busca de oportunidades para os seus projectos de vida. O outro é alguém (e não apenas algo), que merece respeito pela sua condição de pessoa e que, por isso, não pode ser objectiva e subjectivamente usada como meio."
DEMOCRACIA - "Os valores fundamentais e permanentes da democracia são a liberdade e a diversidade, entendida a primeira como princípio sobre o qual deve fundar-se a organização política da sociedade, e a segunda, como corolário que leva necessariamente ao pluralismo."


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