domingo, 24 de maio de 2015

Ao Domingo também Há Música em Angola

Neste Domingo, a proposta vai para  imagens de um pôr-de-sol em Kalandula, Província de Malanje, Angola , junto às Quedas de Kalandula ( antigas Quedas do Duque de Bragança). Os olhos afundaram-se  neste esplendor e não foram capazes de resistir ao encanto de tanta tonalidade abrasadora. 
Registámos os momentos em que o dia quer abraçar a noite num festim de cores que só um adeus real  sabe compor. O Sol,  rei e astro, surge em queda lenta, mas soberano na despedida. Subjuga e deslumbra na beleza que semeia antes de partir. Acompanhá-lo é compreender que a  vida  é apenas uma passagem que , de assombro em assombro, nos interpela para sugerir percursos vários e caminhos imprevistos. Dar-lhe a forma e o sabor que sonhámos  é o exercício que nos é lançado todos os dias. 
A música, que legenda as imagens, vem também de Angola. Fomos às raízes e trouxemos duas grande vozes angolanas: Waldemar Bastos e Rui Mingas. 
Esta semana foi festejada, em Angola, a Semana de África. Amanhã, dia 25 de Maio, é o Dia de África instituído pela ONU, em 1972 , para assinalar a luta dos povos do continente africano pela sua independência.










Waldemar Bastos, em  "Basolua Balukaco" do álbum "Pitanga Madura". 



Waldemar Bastos, em "Mbiri! Mbiri!" acompanhado pela Orquestra Sinfónica de Londres.


Rui Mingas, outra voz maior de Angola, em " Meu Amor"


"Mu Cinkola" por Rui Mingas.

O povo angolano é profundamente religioso. Respeitar o Domingo com visita a um templo é uma prática enraizada.  
 "VILIKIYA OWATO - Conta-nos a história de uma família indígena que, ao regressar da missa dominical a que assistira na missão mais próxima, não encontra na margem do largo rio que tem de atravessar, o barqueiro que a deve levar  a casa. O chefe da família grita pelo barqueiro " VILIKIYA OWATO! ", mas este não aparece. Cai a noite e com ela vem o frio e a chuva. Sem descanso, primeiro ele e depois a mulher continuam a chamar: "VILIKIYA OWATO !"
Canção espiritual angolana, cantada num dos dialectos angolanos, muito conhecida e cantada nas igrejas."
Vilikiya Owato - Chama o barco

Vilikia Owato, vilikiya vali - Chama o barco, chama de novo (insiste)
Ekumbi lyaenda mbela ombela yilokia - Entardeceu (cai a noite) e vem a chuva
Utapuli watcho waepekela tchalwa - O barqueiro caiu em sono profundo
Nda uvilikiya kayevi ketandu
Se o chamas não ouve a chamada
Owelema walwa
As trevas adensaram-se
Etu twandiwa
(E) nós estamos cheios de frio
Okwetu utapuli
Ó barqueiro
Ndotulinge ohenda
(Vem) Tem piedade de nós.

sábado, 23 de maio de 2015

Toda a liberdade é condicional

Liberdades
Por Luis Fernando Veríssimo
"É livre quem pode fazer o que quiser — dentro das suas limitações de espaço, tempo, energia e recursos. Só se é livre dentro de certos limites. Portanto, toda a liberdade é condicional.
Só é totalmente livre quem pode exercer a sua vontade sem qualquer limitação moral ou material. Isto é: o tirano. Assim, a liberdade suprema só existe nas tiranias.
Dizer que a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro é muito bonito. Mas e se a liberdade foi mal distribuída e o meu vizinho tem um latifúndio de liberdade enquanto a minha é um quintal de liberdade, liberdade mesmo que tadinha? Não é feio sugerir um reestudo da divisão.
Cuidado com quem dá aos outros toda a liberdade. Geralmente é quem pode tirá-la.
Há os que passam o dia inteiro livres e chegam em casa se queixando disso. São os motoristas de táxi. Toda liberdade é relativa.
Toda liberdade é relativa. Verdade exemplarmente ilustrada por este diálogo entre o preso e o carcereiro.
— Nunca mais vou sair daqui.
— Calma. Não desanime.
— Não tem jeito. Estou aqui para sempre.
— Vou ver o que posso fazer por você.
— Não adianta. Estou condenado. Desta prisão eu não saio. Se esqueceram de mim.
— Eu não esquecerei. Voltarei para visitá-lo.
— Promete? — diz o carcereiro.
Quem é livre às vezes não sabe. Quem não é livre sempre sabe. Ou será o contrário? A gente vê tanta gente inexplicavelmente feliz.
Alguns são obcecados pela liberdade e prisioneiros da sua obsessão.
Os loucos são livres e vivem presos por isso.
Poderia se dizer que livre, livre mesmo, é quem decide de uma hora para outra que naquela noite quer jantar em Paris e pega um avião. Mas mesmo este depende de estar com o passaporte em dia e encontrar lugar na primeira classe. E nunca escapará da dura realidade de que só chegará em Paris para o almoço do dia seguinte. O planeta tem seus protocolos.
Fala-se em liberdade como se ela fosse um absoluto. Mas dizer “eu quero ser livre” é o mesmo que dizer “eu quero” e não dizer o quê. Existe a Liberdade De e a Liberdade Para. Não é uma questão apenas de preposições e semântica. É a questão do mundo. O liberalismo clássico iconizou a Liberdade Para. Você é livre se tem liberdade para dizer o que pensa e fazer o que quer, para ir e vir e exercer o seu individualismo até o fim, ou até o limite da liberdade do outro. A ideia de que a verdadeira liberdade é a Liberdade De é recente. Livre de verdade é quem é livre da fome, da miséria, da injustiça, da liberdade predatória dos outros. A ideia é recente porque antes era inconcebível.
Ser livre do despotismo era automaticamente ser livre para o que se quisesse, para a vida e a procura individual do paraíso. Foi preciso uma virada no pensamento humano para concluir que Liberdade Para e Liberdade De não eram necessariamente a mesma liberdade e outra virada para concluir que eram antagônicas. A última virada é a decisão de que uma liberdade precisa morrer para que a outra viva. Não concorde com ela muito rapidamente.
Enfim, de todos os crimes que se cometem em nome da liberdade, o pior é a retórica.
Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, completamente livre, é a que não tem medo do ridículo." VERISSIMO, Luis Fernando. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011, p.181-185.

Go with the morning


 Stay with my heart

Fell in love with my lover in the morning
Or may be I fell long before you
Now I wonder what lovers are missing
And how the name seems to me passing through

It's so sad but maybe you're self-caused trouble
Perhaps I've been sad longer than you
I might have been fooling my lover
You have always been so much more to me

Ain't got the heart baby
I ain't got the heart
Go with the morning
I'll stay with my heart

I ain't got the heart baby
I ain't got the heart
Go with the morning
I'll stay with my heart
Stay with my heart

You know I was sent for that morning
Or maybe it just was the night that threw me out

I ain't got the heart baby
I ain't got the heart
Go with the morning
I'll stay with my heart

I ain't got the heart
I ain't got the heart
Go with the morning
I'll stay with my heart
I'll stay with my heart
I'll stay with my heart

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Confia no rasto das lágrimas

NÃO TE ESCREVAS

entre os mundos,

ergue-te contra
a variedade de sentidos,

confia no rasto das lágrimas
e aprende a viver.
Paul Celan, in A MORTE É UMA FLOR, Livros Cotovia, 1998

Flip 2015 homenageia Mário de Andrade

Flip 2015 vai homenagear Mário de Andrade
Por Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
"O poeta, romancista e crítico literário Mário de Andrade será o homenageado na 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que este ano ocorre entre os dias 1 e 5 de Julho, na cidade de Paraty, na Costa Verde fluminense. A programação principal terá 39 autores, sendo 16 deles internacionais.
Para o curador da feira, Paulo Werneck, o poeta Mário de Andrade inspira a própria existência da Flip. “Ele foi um intelectual que se dedicou a muitas áreas na cultura, foi um grande artista de vanguarda, um pesquisador, um crítico. E é esse o espírito da Flip”, comentou ele.
“Foi uma ideia muito feliz, nos 70 anos da morte dele, fazer essa homenagem. É um projecto que está sendo muito movimentado, com novas descobertas sobre o autor, novos livros, o que justifica uma homenagem de verdade, não uma efeméride vazia”, disse Werneck.
Dentre os autores confirmados estão o italiano Roberto Saviano, a cantora e escritora Karina Buhr,o historiador Boris Fausto, o jornalista cubano Leonardo Padura, Richard Flanagan, o literário queniano Ng g wa Thiong’o, o músico Jorge Mautner, o dramaturgo David Hare, o irlandês Colm Tóibín e a argentina Beatriz Sarlo, que já estiveram na Flip em edições anteriores.
“No ano passado não repetimos nenhum autor. Neste ano, não me preocupei com isso e fui procurando aqueles autores que interessavam mais às discussões”, explicou Werneck.
Naquele ano, a feira homenageou Millôr Fernandes e ganhou um tom mais político, com muitos jornalistas convidados e temas como imperialismo, ditadura e liberdade de expressão, meio ambiente e questão indígena.
Na edição deste ano, haverá destaques para poesia, sexo e erotismo na literatura, ciência, representações literárias da família e da vida afectiva, romance policial, questões de política internacional, literatura de viagem, música, arquitectura, políticas culturais e os rumos da sociedade brasileira.
O ecleticismo dos assuntos, segundo Werneck, foi inspirado pelo homenageado. “Tentamos fazer algo bem movimentado, bem no espírito do Mário de Andrade. Ele seria um grande frequentador da Flip, estaria ali feliz da vida”, brincou.
A captação de patrocínio para esta edição chegou, até o momento, a R$6,1 milhões dos R$7,5 milhões previstos para os quatro dias do evento. A capitação, no ano passado, foi de R$ 8,2 milhões. De acordo com o curador, os 15% a menos do que o previsto, no orçamento, não vão prejudicar a festa, e podem mesmo impulsionar soluções criativas.
“Ano de crise económica e política é sempre fértil na área cultural. Em vários países, em várias épocas foi assim, inclusive na época de Mário de Andrade. Então, acho que a programação, sendo movimentada, oferece algumas saídas para crise, e pode trazer elementos para a gente pensar essa crise que o Brasil e o mundo estão vivendo”.
Dentre as novidades deste ano, está a Oficina de Design de Livros, no lugar da tradicional Oficina Literária. A holandesa Irma Boom, destaque do mercado editorial internacional, e a brasileira Elaine Ramos, directora de arte da Cosac Naify, vão ministrar o curso durante a Flip, apresentando duas abordagens distintas do livro como objecto artístico, tanto em seus aspectos industriais quanto artesanais. Algumas actividades educativas da Flip vão focar na redução do analfabetismo e na diminuição da violência em Paraty.
Os ingressos começarão a ser vendidos a partir de 1 de Junho
Durante a Flip a venda dos ingressos será realizada só em Paraty, na bilheteria oficial da festa. Assim como no ano passado, haverá gratuidade no show de abertura e nos telões externos, mas o artista que fará a apresentação ainda não foi anunciado.”13.05.2015
Veja a programação completa da Flip 2015 em :Programação em pdf

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sobre as coisas que não existem


Por mais...
Por mais rosas e lírios que me dês
eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
sobrar-me-á sempre o que desejar…
Fernando Pessoa, in Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 406
“Deus existe mesmo quando não há. Mas o demónio não precisa de existir para haver”  Guimarães Rosa ,in  Grande sertão, Veredas. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1978, p. 49

O que me dói
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas que nunca existirão…
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor…
Fernando Pessoa, in Obra poética, Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1990, p. 169
"Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?." Paul Valéry
 “As coisas que não existem são mais bonitas…” Manoel de Barros , in Livro das ignorãças, Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 7.

Recuerda
"Recuerda, pues, o suena tu, alma mia
- Ia fantasia es tu sustância eterna -,
Io que no fué;
con tus figuraciones hazte fuerte,
que eso es vivir, y Io dernás es muerte." Miguel de Unamuno,in  “Conversación segunda”, Ensayos. Madri: Aguilar Ediciones, 1951, p. 554

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A situação da Europa é desesperante

domingo, 17 de maio de 2015

Ao Domingo Há Música

De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração.
David Mourão-Ferreira

Os nossos poetas são cantados por vozes que dão sonoridade às palavras, preservando o ritmo que as enforma e  emprestando-lhes a melodia que exigem. Há um enorme registo de várias canções que faz parte da nossa memória musical.  Neste Domingo de Maio, mês de muitos poetas, apresentamos algumas dessas canções. 

A voz de Amélia Muge cantando um poema de António Ramos Rosa, " Entre o deserto e o deserto" . 
Do Álbum" Não sou daqui" de 2007, as palavras do poeta António Ramos Rosa,  com música de Amélia Muge, arranjo de António José Martins. A produção é de Amélia Muge/António José Martins , acompanhada por José Peixoto (guitarra acústica), Yuri Daniel (contrabaixo e baixo eléctrico), Catarina Anacleto (violoncelo), Filipe Raposo (piano e acordeão), José Manuel David (sopros) e Carlos Mil-Homens (cajón).
Entre o deserto e o deserto
Entre o deserto e o deserto
numa viagem sem destino
procuras a água e o vinho
nenhuma pista nenhum signo

vivo de pouco ou de nada
sem nunca ter um lugar
sempre a insónia mais branca
e a sede de um novo ar

escurece já o olvido
e é noite quando amanhece
nenhum barco traz aquela
por quem a escrita se tece

talvez esteja perdido
como um náufrago na areia
talvez me reste a canção
e o vento que desenleia

Entre o deserto e o deserto
Entre o deserto e o desert
o
António Ramos Rosa
" A verdade do Poeta",  poema  de Jorge Mendonça na voz de  Dulce Pontes  que gravou vários temas deste poeta no  álbum “O coração tem três portas”  . Sobre o poeta, a cantora afirma: "Este é um tema muito autêntico, de uma grande verdade e em que homenageio um querido amigo". 
"Jorge Mendonça nasceu na ilha de São Miguel, Açores, em 22 de Junho de 1947 e faleceu a 03 de Agosto de 2004. Poeta, escreveu um único livro "Fragmentos". Fragmentos daquilo que escreveu sobre si, sobre as pessoas que amava, daquilo que era, daquilo que não foi e gostaria de ter sido e daquilo que nunca será. "Por isso, eu sou esta ilha que há em mim e que em ilha me transforma", dizia o poeta.

A Verdade do Poeta
É de sonho que se tece
a verdade do poeta
e a poesia acontece
quando o poeta se esquece
de acordar na hora certa

Com o corpo adormecido
e a alma bem desperta
a vida faz mais sentido
e murmura ao ouvido
do sonho a palavra certa

E depois é só trocar
por palavras sentimentos
e as emoções, enganar
e fazê-las confessar
os verdadeiros intentos

Sonhar é fazer sorrir
a lágrima mais dolorosa
e os pesadelos, despir
para depois os vestir
de mil sonhos cor-de-rosa

É fazer o sol brilhar
na noite mais tenebrosa
por a tristeza a cantar
e devolver ao olhar
aquela luz preciosa

É roubar ao pôr-do-dol
um raio de luz derradeiro
e fazer dele um farol
que ilumine o mundo inteiro.
Jorge Mendonça


" Barco Negro", o belo poema de David Mourão-Ferreira na voz de Mariza. Trecho do show que gerou o DVD "Concerto em Lisboa",  com a participação do Maestro Jaques Morelenbaum e a Sinfonietta de Lisboa.
BARCO NEGRO  
De manhã temendo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia,
mas logo os teus olhos disseram que não
e o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
e o teu barco negro dançava na luz;
vi teu braço acenando, entre as velas já soltas.
Dizem as velhas da praia que não voltas...
São loucas! São loucas!


Eu sei, meu amor, 
que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor 
me diz que estás sempre comigo.


No vento que lança 
areia nos vidros,
na água que canta,
no fogo mortiço,
no calor do leito,
nos bancos vazios, 
dentro do meu peito
estás sempre comigo
David Mourão-Ferreira

" Amor não me engane", poema e música de José Afonso , extraído do Álbum  "Venham Mais Cinco", 1973.

Poema de José Afonso

Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das àguas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia"

José Afonso

Carminho canta o magnífico poema  "Da margem esquerda da vida" do poeta  Reinaldo Ferreira,  no Álbum  " Canto", com música no tradicional Fado Menor do Porto de José Joaquim Cavalheiro Júnior. No Instrumental estão Luís Guerreiro na Guitarra Portuguesa, Diogo Clemente na Viola de Fado e Marino Freitas na Viola Baixo.
Da margem esquerda da vida

Da margem esquerda da vida
Parte uma ponte que vai
Só até meio, perdida
Num halo vago, que atrai.

É pouco tudo o que eu vejo,
Mas basta, por ser metade,
P'ra que eu me afogue em desejo
Aquém do mar da vontade.

Da outra margem, direita,
A ponte parte também.
Quem sabe se alguém ma espreita?
Não a atravessa ninguém.
Reinaldo Ferreira