domingo, 5 de setembro de 2010

Voltaram das férias e não se calam (II)

E chamam-lhe "Rentrée". Até o termo foi importado com a estulta ou pretensa intenção de dar profundidade a um corolário de repetidos e obtusos discursos que parece imparável porque todos se acham no dever, ou talvez, no direito de fazer. E lá vão eles, bronzeados e descansados, por esse país fora, em romaria acertada, anunciando promessas para um futuro redentor deste presente tenebroso.
E o povo a vê-los passar. Quem os mandou voltar? Possivelmente, Ninguém.
Meu pobre Portugal, de Palavras e de Promessas estamos todos fartos.










A Paz arredondava-se aos Domingos



E , uma vez redonda, registava
a paração de campos entrevistos,
com o descanso a inundar a alma.
O longe propagava ondas de sinos
até a exultação da maré alta
arrepiar as do rio
e ir ampliar a placidez das águas.
Átrio era o ócio. Ou também indício
de vales alteados, já sem lágrimas,
mas onde ver sofria o paraíso
e o paraíso a si se nomeava.

Fernando Echevarria, in " Lugar de Estudo", Edições Afrontamento, Maio de 2009

sábado, 4 de setembro de 2010

A vocação do Professor



«A necessidade de transmitir conhecimento e competências, o desejo de os adquirir são constantes da natureza humana. Mestres e discípulos, ensino e aprendizagem deverão continuar a existir enquanto existirem sociedades. A vida tal como a conhecemos não poderia passar sem eles. Contudo, há mudanças importantes em curso. A computação, a teoria da informação e o acesso à mesma, a ubiquidade da Internet e da rede global envolvem muito mais do que uma revolução tecnológica. Implicam transformações de consciência, de hábitos de percepção e de expressão. O impacto sobre o processo de aprendizagem é já capital. [Contudo] a aura carismática do professor inspirado, o romance da persona no acto pedagógico perdurarão certamente a sede de conhecimento, a necessidade profunda de compreender, estão inscritas no melhor dos homens e das mulheres. Tal como a vocação do professor. Não há ofício mais privilegiado. Despertar noutro ser humano poderes e sonhos além dos seus; induzir nos outros um amor por aquilo que amamos; fazer do seu presente interior o seu futuro: eis uma tripla aventura como nenhuma outra»

George Steiner, in " As Lições dos Mestres ", Gradiva, 2005

Que solução para o futuro do nosso Planeta?

Os Estudos, os Debates, as reflexões à volta deste tema têm sido frequentes e diversos. O futuro é também uma preocupação ecológica, já que de sobrevivência se trata. Sobre essa matéria, o Jornal "Le Monde " publicou, em 26 de Agosto último, este artigo que se transcreve.

La décroissance, une solution d'avenir ?

"Nous vivons l'époque où la croissance rencontre les limites de la planète, déclare Yves Cochet, député (Verts) de Paris. La ligne qu'il défend pour éviter le "chaos social" consiste à "disqualifier (…) la puissance, l'utilitarisme et la surconsommation pour faire de l'écologie, de la sobriété et de la décroissance, une mode, un esprit du temps, un nouvel imaginaire collectif".
"La décroissance est un idéal de riches, réplique le géographe Jean Chaussade. (…) Le monde a besoin d'une croissance durable, qualitative, d'une croissance contrôlée, apprivoisée, qui rétablisse un certain équilibre entre ceux qui ont trop et ceux qui n'ont pas suffisamment."
De son coté, Corinne Lepage estime que "la décroissance n'est pas porteuse d'espoir". La présidente de CAP 21 prône une "macroéconomie soutenable" et un "capitalisme entrepreneurial".
Selon Alain Gras, professeur de socio-anthropologie, et Philippe Léna, directeur de recherche à l'Institut de recherche pour le développement, "la charge de Corinne Lepage contre la décroissance est "révélatrice des contradictions incontournables dans lesquelles s'enferment ceux qui (…) n'acceptent pas de remettre sérieusement en cause les mécanismes et l'idéologie qui sont à l'origine de la crise actuelle. (…) Une tout autre vision du monde reste à construire, affirment-ils, la contestation des objectifs actuels de l'économie par la réflexion sur la décroissance le permet".
"Le Monde", 26/08/2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Portugal liderou

Portugal é o país que registou, em Julho de 2010, a maior subida nas vendas a retalho, entre os 27 membros da União Europeia, de acordo com a informação divulgada, hoje , pelo Eurostat.
Ultimamente, Portugal tem atingido os lugares cimeiros por desempenhos negativos. As vendas a retalho contrariam este registo, elevando-o ao topo dos bons resultados.
Parabéns, Portugal. Aqui , fica assinalado o teu comportamento de liderança nesta UE de muitos líderes.

In " Jornal de Negócios " de 3/09/2010

Exposições do Centenário da República


Exposições do Centenário
Exposição: Letras e Cores, Ideias e Autores da República
Data de publicação: 23.08.2010

No ano em que se comemoram cem anos sobre a implantação da República, a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB), em colaboração com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, apresenta a exposição “Letras e Cores, Ideias e Autores da República”. A partir de textos de autores que marcaram decisivamente a cultura humanístico-literária em Portugal no final do século XIX e início do século XX, a DGLB convidou dez ilustradores a tratar plasticamente dez temas representativos do contexto social, político, cívico e cultural da época: Ultimatum, Monarquia, 5 de Outubro, Igreja, Educação, Mulheres, Modernismo, Grande Guerra, Chiado e Revistas. O resultado mostra de que forma literatura e arte, passado e presente, se podem cruzar de forma coerente e harmoniosa, dando corpo a um percurso fulcral da história portuguesa contemporânea: o triunfo da ideia republicana de cidadania, a instauração do regime, a participação de Portugal na I Grande Guerra e a vida política, social, cultural e artística deste período.
A exposição Letras e Cores, Ideias e Autores da República é uma iniciativa da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e da CNCCR e poderá ser vista no Museu do Traje a partir de Outubro e nas Bibliotecas Municipais ao longo do ano.
Contacto para mais informações: comissao@centenariorepublica.pt
Notícia do Site do Centenário da República

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A tragédia em Moçambique



Aumentar a água, a luz seguidas do pão é uma morte anunciada para quem tem pouco ou nada tem. E por isso , ontem , a revolta foi para a rua, em Maputo, Moçambique. Os protestos ganharam dimensão com a força beligerante entre a Polícia e os manifestantes. Ao fim do dia contabilizavam-se já uma dezena de mortos e vários feridos.

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, onde todos os dias se morre de fome por falta de recursos para a luta da sobrevivência. Os direitos fundamentais não são plenos no mundo inteiro, embora sejam património da Humanidade.

O povo de Moçambique tem sido penalizado com aumentos sucessivos do custo de vida, mormente dos bens essenciais. Estes últimos fizeram descer o pânico à capital. A luta pelo pão de cada dia provoca e resulta em violência , quando a fome impera.

Assim vai o nosso mundo, cada vez mais desigual e feroz.



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Em Setembro

É em Setembro que a minha praia me reconhece , abrindo-me, de novo, os seus longos braços para repetidos abraços de maresia ...

" C'est en Septembre", uma canção emblemática na voz inesquecível de Gibert Bécaud.



C'est en septembre

Les oliviers baissent les bras
Les raisins rougissent du nez
Et le sable est devenu froid
Au blanc soleil
Maitres baigneurs et saisonniers
Retournent à leurs vrais métiers
Et les santons seront sculptés
Avant Noël

C'est en septembre
Quand les voiliers sont dévoilés
Et que la plage tremble sous l'ombre
D'un automne débronzé
C'est en septembre
Que l'on peut vivre pour de vrai

En été mon pays à moi
En été c'est n'importe quoi
Les caravanes le camping-gaz
Au grand soleil
La grande foire aux illusions
Les slips trop courts, les shorts trop longs
Les Hollandaises et leurs melons
De Cavaillon

C'est en septembre
Quand l'été remet ses souliers
Et que la plage est comme un ventre
Que personne n'a touché
C'est en septembre
Que mon pays peut respirer

Pays de mes jeunes années
Là où mon père est enterré
Mon école était chauffée
Au grand soleil
Au mois de mai, moi je m'en vais
Et je te laisse aux étrangers
Pour aller faire l'étranger moi-même
Sous d'autres ciels

Mais en septembre
Quand je reviens où je suis né
Et que ma plage me reconnaît
Ouvre des bras de fiancée
C'est en septembre
Que je me fais la bonne année

C'est en septembre
Que je m'endors sous l'olivier

Gilbert Bécaud