sábado, 28 de março de 2026

Eugénio Lisboa cita Roger Martin du Gard

Eugénio Lisboa , como grande pensador , não deixava de citar muitas reflexões de outros grandes escritores que se convertiam em belos e enriquecedores momentos de leitura. 
Eis algumas  retiradas do romance Os Thibault de Roger Martin du Gard , que constam  do seu primeiro volume de Memórias , Acta est fabula. I. Lourenço Marques – 1930-1947

"Deixo aqui, do grande escritor francês, Roger Martin du Gard,  algumas pérolas, todas colhidas nos Thibault:
– “Não há verdade, a não ser provisória... Tactear, hesitar. Não afirmar nada, definitivamente. Todo o caminho em que nos lançamos a fundo torna-se um impasse. Curarmo-nos do gosto da certeza.”

– Jacques: “Um dos dias decisivos da minha vida foi aquele em que compreendi que o que, em mim, era, pelos outros, julgado repreensível, perigoso, era, pelo contrário, o melhor, o mais autêntico de mim.”

– “O orgulho é a minha alavanca, a alavanca de todas as minhas forças. Sirvo-me dele. Tenho perfeitamente esse direito. Será que se não trata, antes de mais nada, de utilizar as nossas forças?”

– “Armadilha do diabo. Disfarçar o orgulho não é o mesmo que ser modesto. Mais vale deixar saltar à vista os defeitos que se não soube vencer, fazer disso uma força, do que mentir e enfraquecer, dissimulando-os.”

– “Nunca se está só, quando se está à mesa de trabalho.”

– “É tentador desembaraçarmo-nos do fardo exigente da nossa personalidade! É tentador deixarmo-nos englobar num vasto movimento de entusiasmo colectivo! É tentador acreditar, porque é cómodo, e porque é supremamente confortável! Saberás resistir à tentação?”

– “É preciso escolher as virtudes que engrandecem. Virtude suprema: a energia.”
Eugénio Lisboa, in Acta Est Fabula, I , Memórias,  Lourenço Marques - 1930- 1947 ,Editora Opera Omnia, 2012, pp.157-158

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