Eugénio Lisboa , como grande pensador , não deixava de citar muitas reflexões de outros grandes escritores que se convertiam em belos e enriquecedores momentos de leitura.
Eis algumas retiradas do romance Os Thibault de Roger Martin du Gard , que constam do seu primeiro volume de Memórias , Acta est fabula. I. Lourenço Marques – 1930-1947:
"Deixo aqui, do grande escritor francês, Roger Martin du Gard, algumas pérolas, todas
colhidas nos Thibault:
– “Não há verdade, a não ser provisória...
Tactear, hesitar. Não afirmar nada, definitivamente. Todo o caminho
em que nos lançamos a fundo torna-se um impasse. Curarmo-nos do gosto
da certeza.”
– Jacques: “Um dos dias decisivos da minha vida foi aquele em que
compreendi que o que, em mim, era, pelos outros, julgado repreensível,
perigoso, era, pelo contrário, o melhor, o mais autêntico de mim.”
– “O orgulho é a minha alavanca, a alavanca de todas as minhas
forças. Sirvo-me dele. Tenho perfeitamente esse direito. Será que se não
trata, antes de mais nada, de utilizar as nossas forças?”
– “Armadilha do diabo. Disfarçar o orgulho não é o mesmo que ser
modesto. Mais vale deixar saltar à vista os defeitos que se não soube vencer,
fazer disso uma força, do que mentir e enfraquecer, dissimulando-os.”
– “Nunca se está só, quando se está à mesa de trabalho.”
– “É tentador desembaraçarmo-nos do fardo exigente da nossa personalidade! É tentador deixarmo-nos englobar num vasto movimento de
entusiasmo colectivo! É tentador acreditar, porque é cómodo, e porque é
supremamente confortável! Saberás resistir à tentação?”
– “É preciso escolher as virtudes que engrandecem. Virtude suprema:
a energia.”
Eugénio Lisboa, in Acta Est Fabula, I , Memórias, Lourenço Marques - 1930- 1947 ,Editora Opera Omnia, 2012, pp.157-158

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