segunda-feira, 30 de março de 2026

A construção da Ponte de Brooklyn

 
A construção atribulada da Ponte de Brooklyn, em Nova Iorque
por Javier Zori del Amo
"Da dezena de pontes que atravessam o East River, só a de Brooklyn alcança a categoria de ícone graças à sua arquitectura – e a uma história singular.
A Ponte de Brooklyn não é apenas um emblema da arquitectura nova-iorquina – é também um símbolo literário e cinematográfico imortalizado em inúmeras obras da cultura popular. É uma das construções mais icónicas de Nova Iorque e caminhar na sua faixa pedonal, partilhada com ciclistas, tornou-se uma das experiências essenciais para quem visita a cidade. Atravessar a ponte ao entardecer, especialmente no sentido Brooklyn-Manhattan, proporciona uma vista espectacular do perfil iluminado da ilha – uma recepção quente e majestosa da cidade que nunca dorme.
A história da ponte de Brooklyn é marcada por perseverança e sacrifício. Desenhada pelo engenheiro John August Roebling, a ponte começou a ser construída após a aprovação do projecto, em 1867. Roebling já provara a sua genialidade em obras como o passadiço das Cataratas do Niágara, mas não chegou a ver a ponte terminada.
Um acidente ceifou-lhe a vida em 1869, deixando o seu filho Washington Roebling encarregado da obra monumental. No entanto, também Washington foi vítima de um golpe duro. Afectado pela “doença de Caisson”, uma condição causada pela descompressão rápida após a realização de trabalhos a grandes profundidades debaixo de água, ficou parcialmente paralisado.
Emily Warren e a ponte de Brooklyn
Foi então que a sua esposa, Emily Warren Roebling, se tornou a verdadeira heroína do projecto. Sem conhecimentos prévios de engenharia, Emily assumiu a direcção da ponte, servindo de intermediário entre o seu marido e os trabalhadores, supervisionando as obras e estudando engenharia para concluir a estrutura. É-lhe atribuído o mérito de ter levado o projecto a termo com sucesso, tornando-se assim uma figura-chave da história da ponte.
A ponte foi finalmente inaugurada no dia 24 de Maio de 1883, numa cerimónia presidida por Chester A. Arthur. Com quase dois quilómetros de comprimento e as suas torres neogóticas, foi considerada a oitava maravilha do mundo. Durante anos, foi a estrutura mais alta do Ocidente, consolidando a sua posição como uma das jóias da engenharia do século XIX. Além disso, em termos urbanísticos, a sua construção foi fundamental para a consolidação da Área Metropolitana de Nova Iorque em 1898, unindo Manhattan a Brooklyn, Queens, Staten Island e ao Bronx.
Actualmente, a Ponte de Brooklyn continua a ser uma peça essencial na infra-estrutura de Nova Iorque, embora também tenha evoluído como espaço de recreio. Nova-iorquinos e turistas desfrutam de caminhadas ou passeios de bicicleta na ponte, contemplando as vistas únicas de Manhattan e Brooklyn. Os acessos são fáceis em ambas as margens do rio. Em Manhattan é possível aceder-lhe a partir de uma plataforma de madeira em Centre Street, perto da estação de metro Brooklyn Bridge-City Hall.
Um passeio em DUMBO
Em Brooklyn, as escadas ficam em Washington Street e Prospect Street, perto de Cadman Square. Uma vez em Brooklyn, o bairro de DUMBO (Down Under the Manhattan Bridge Overpass) é uma paragem obrigatória. Esta zona, outrora um distrito industrial, transformou-se num vibrante epicentro cultural e gastronómico, com uma vasta oferta de restaurantes, galerias de arte e lojas.
Com as suas ruas enfeitadas e ambiente moderno, DUMBO proporciona uma vista inigualável da ponte de Brooklyn e do skyline de Manhattan. É um bairro em constante mudança, onde antigos armazéns industriais transformados em lofts de luxo convivem com espaços de trabalho modernos e lojas. O Brooklyn Bridge Park, situado junto à margem do East River, é outro sítio perfeito para relaxar e desfrutar das melhores vistas da ponte, sobretudo ao cair da noite, quando as luzes da cidade transformam o horizonte num espectáculo inesquecível."
Javier Zori del Amo, in National Geographic, Outubro de 2025

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