terça-feira, 8 de dezembro de 2020

A desordem estuporada da vida

"- Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isto. Porque, sabe?, acorda-se às quatro da manhã, num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida apresenta-se ali como algo... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é a maneira subtil de transferir a confusão e violência da vida para o plano mental de uma unidade e significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos, do Amor ou da Morte. Percebe? De uma dessas tremendas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos?"
Herberto Helder, in «Os passos em volta», Assírio e Alvim,  1980, pp.11-12

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O escritor vai resistir

A literatura de ficção morreu? 
por Rubem Fonseca
"Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um pouco mais tarde) estivessem activos naquela época.
No início do séc. XX, com o lançamento, por Henry Ford, do Ford Model T, um automóvel popular, construído numa linha de montagem, um carro barato que em poucos anos vendeu mais de quinze milhões de unidades, as Cassandras afirmaram que agora a literatura de ficção, na qual se incluía a poesia, estava mesmo com os dias contados. Dentro de pouco tempo todas as pessoas teriam automóvel e usariam o carro para passear, fazer compras, namorar em vez de ficarem em casa lendo. Ou porque não soubessem o que lhes reservava o futuro, ou lá porque fosse, o certo é que muitos escritores, como Yeats, Benavente, Galsworthy, Selma Lagerlof, Rilke, Kavafis, Edna St. Vincent Millay continuaram escrevendo, e talvez até mesmo tivessem um Model T na garagem deles.
Nova anunciação mortal veio logo em seguida, causada pelo cinema, denominado de Sétima Arte. Uma pesquisa da época mostrou que em cada 100 pessoas 80 frequentavam o cinema e 2 (duas!) liam livros de ficção. Agora mesmo é que a literatura, enfim, havia morrido. Desta vez não tinha salvação. Mas Sinclair Lewis, Thomas Mann, Bunin, Céline, Ana Akhmatova, O’Neill, Pirandello, e muitos outros não sabiam disso. (Os dois últimos são autores de teatro, mas o teatro começou a morrer antes).
Depois nova morte foi profetizada, quando do advento da televisão. Mas William Faulkner, Eliot, Gide, Hesse, Quasimodo, Pasternak, Camus, Hemingway, Beckett, Seferis, Kawabata, Mauriac, Steinbeck e muitos mais não pararam de escrever. Que diabo, esses caras não liam os jornais? Não sabiam que a literatura de ficção havia morrido?
Afinal veio o golpe de misericórdia: o computador e a Internet. Era a pá de cal. Mas o que estava acontecendo? Quem são (ou eram) esses loucos escrevendo poesia e romance – Carlos Drummond de Andrade, Czeslaw Milosz, João Cabral, Pablo Neruda, Montale, Heinrich Böll, Saul Bellow, Isaac Bashevis Singer, Octavio Paz, Brodsky, García Márquez (“se diz que o romance está morto, não é o romance, é quem o afirma que  está morto”), Canetti, Günter Grass, Kenzaburo Oe, Saramago, João Ubaldo, Ferreira Gullar e um montão de outros? O que na realidade está acontecendo?
Existem muitos estudos interessantes e extensos sobre o assunto, como o da ensaísta Leila Perrone-Moisés, no livro Altas literaturas (Companhia das Letras, 1998). Uma coisa talvez esteja acontecendo: a literatura de ficção não acabou, o que está acabando é o leitor. Poderá vir a ocorrer este paradoxo, o leitor acaba mas não o escritor? Ou seja, a literatura de ficção e a poesia continuam existindo, mesmo que os escritores escrevam apenas para meia dúzia de gatos pingados?
Kafka escrevia para um único leitor: ele mesmo. Recordo Camões. Ele era um arruaceiro, e acabou na prisão, ou por motivos de suas rixas ou por se ter  envolvido com a infanta Dona Maria, irmã do rei João III. Para obter o perdão do rei ele propôs-se a servi-lo na Índia, como soldado. Lá ficou 16 anos e, afinal, a bordo de um navio voltou para Portugal, acompanhado de uma jovem indiana, que ele amava, e a quem dedicou o lindo soneto “Alma minha gentil, que te partiste”. O navio naufragou e Camões só pensou, durante o naufrágio, em uma coisa: salvar o manuscrito dos Lusíadas e dos seus poemas. Deixou a mulher amada morrer afogada (confesso que especulo), e perdeu todos os seus bens, mas salvou os seus manuscritos. Para quem ler? Estávamos no século XVI e muita pouca gente em Portugal sabia ler. Mas Camões pensou nesse punhado de leitores, era para eles que Camões escrevia, não importava quantos fossem eles.
Os leitores vão acabar? Talvez. Mas os escritores não. A síndrome de Camões vai continuar. O escritor vai resistir." 
Rubem Fonseca, in "O romance morreu", Companhia das Letras

domingo, 6 de dezembro de 2020

Ao Domingo Há Música

Estes são realmente pensamentos
de todo homem em qualquer tempo e lugar,
não são originais meus;
e se não são de vocês tanto quanto meus
não querem dizer nada
ou quase nada;
e se não são a pergunta
e a resposta à pergunta,
não significam nada;
e se eles não se colocam tão perto
quão distantes parecem,
não valem nada…
Walt Whitman , Folhas de Relva

Não são pensamentos, apenas registos musicais que surgem e se revestem de algum encanto para todo homem em qualquer tempo e lugar.   Trazem vozes novas, algumas desconhecidas mas sempre harmoniosas e com aquele talento que  as distingue. 
Neste primeiro domingo de Dezembro, a voz vem de um cantor natural de Harare, Zimbabwe, que tem a música no coração.
Taps Mugadza, em Writing's On The Wall  (from Spectre) , canção de Sam Smith . 
Taps Mugadza, em Run de Nicole Scherzinger. 
Taps Mugadza, em  Someone You Loved  de Lewis Capaldi. 


sábado, 5 de dezembro de 2020

O Mar Oceano

Obsessão do mar oceano 

Vou andando feliz pelas ruas sem nome…
Que vento bom sopra do Mar Oceano! 
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano…
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas… e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral…
Búzios calçando portas… caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos…
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su’alma perdida e vaga na neblina…
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos…
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas…
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.
 Mario Quintana, in "Antologia Poética", Editora Objetiva

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Quando o Mar brame no Algarve























" O mar não tem como a terra vestígios do trabalho do homem e da vida humana. No mar nada permanece, tudo por lá passa de fugida e, dos barcos que o percorrem , depressa o rasto se desvanece."
Marcel Proust , in “Os prazeres dos dias”, Editorial Estampa

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Os Juízes das Cores

Os Cegos, Juízes das Cores  
 por Voltaire
«Sabemos que nos começos da fundação dos Quinze-Vintes eles eram todos iguais, e que os seus pequenos problemas eram resolvidos pela pluralidade das vozes. Distinguiam perfeitamente pelo toque a moeda de cobre da de prata; nenhum deles tomava alguma vez o vinho de Brie pelo vinho de Borgonha. O seu olfacto era mais apurado do que o dos seus vizinhos que tinham dois olhos. Argumentavam perfeitamente sobre os quatro sentidos, o mesmo é dizer que eles conheciam tudo o que é permitido saber. E viviam tão tranquila e afortunadamente quanto seria de esperar.
Infelizmente, um dos seus professores afirmou ter noções claras sobre o sentido da vista; fez-se escutar, intrigou, formou entusiastas: foi, por fim, reconhecido como o líder da comunidade. Pôs-se a deliberar soberanamente sobre as cores, e tudo se perdeu.
O primeiro ditador dos Quinze-Vinte formou a princípio um pequeno conselho, através do qual se fez senhor de todas as esmolas. Pelo que ninguém ousava resistir-lhe. Decidiu que todos os hábitos dos Quinze-Vintes eram brancos: os cegos acreditaram nele; não falavam senão dos seus belos hábitos brancos, ainda que nem um só tivesse essa cor. 
Toda a gente troçou deles, e o grupo foi queixar-se ao ditador, que os recebeu muito mal: apelidou-os de inovadores, de livre-pensadores, de rebeldes, que se deixavam seduzir pelas opiniões erróneas daqueles que tinham dois olhos, e ousavam duvidar da infalibilidade do seu mestre. 
Esta disputa deu origem a dois partidos. O ditador, para os apaziguar, decretou um acórdão segundo o qual todos os seus hábitos eram vermelhos. Não havia um único hábito vermelho entre os Quinze-Vintes. Foram alvo de troça ainda maior: novas queixas da parte da comunidade. 
O ditador enfureceu-se, os outros cegos também: debateram-se longamente, e a concórdia só foi restabelecida quando foi permitido a todos os Quinze-Vintes suspender o juízo sobre a cor dos seus hábitos.
Um surdo, ao ler esta pequena história, reconheceu que os cegos tinham procedido mal ao julgar as cores. Mas manteve-se firme na opinião de que é aos surdos que cabe julgar a música.»
Voltaire , in " A Aventura da Memória e Outros Contos", Estrofes & Versos, 2009.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Morreu Eduardo Lourenço

Morreu Eduardo Lourenço , hoje, aos 97 anos. Homem da Cultura, professor, ensaísta,  crítico literário, grande pensador e profícuo prosador, deixa uma obra vasta  e premiada.
Com site residente na página oficial do  Centro Nacional de Cultura, tem hoje, na voz de um dos seus  dirigentes , uma digna e merecida evocação que vamos transcrever.

Eduardo Lourenço (1923-2020)

INTERROGADOR INCESSANTE
por Guilherme d'Oliveira Martins 
Centro Nacional de Cultura, 1 de Dezembro de 2020

"Eduardo Lourenço é uma das grandes referências das culturas de língua portuguesa. O ensaísmo que cultivou, na senda de Montaigne e em diálogo com António Sérgio e Sílvio Lima, mas também com Unamuno e Ortega, é uma marca indelével que ficará como um sinal marcante da democracia portuguesa. No seu percurso riquíssimo – desde S. Pedro de Rio Seco a Nice, passando pelo Colégio Militar, pela Universidade de Coimbra, pela criação da revista “Vértice”, pelo exílio cultural de Heidelberg e da Bahia até a Vence – , sempre teve uma participação marcante sempre em fértil ligação com a literatura portuguesa, sobre que refletiu exaustivamente. Foi um heterodoxo, significando essa atitude política e cívica um desalinhamento que significou o culto da liberdade de espírito. A sua escrita é única e inconfundível, revelando com linguagem poética uma extraordinária intuição nas análises dos principais autores do século XX. Não houve autor ou corrente relevantes que lhe tenham passado despercebidos. Na geração de “O Tempo e o Modo” pôde fazer análise crítica com inteira independência, descobrindo a melhor qualidade dos autores, independentemente de escolas, e distinguindo-a do “espírito do tempo”. Quando hoje lemos os seus textos luminosos, apercebemo-nos de que soube sempre distinguir o essencial. Nesse ponto, foi um devoto seguidor de Antero de Quental e da sua geração, que nunca considerou como vencida, mas como renovadora e audaciosamente crítica. Pode dizer-se, assim, que na linha de Garrett e Herculano considerou a cultura portuguesa como rica mercê do diálogo entre tradição e inovação, entre identidade e diversidade, mas sempre estimulada pelos desafios da exigência e da modernidade, ciente das suas limitações e nunca condenada de antemão por qualquer fatalismo…

Uma das visitas mais fascinantes que fiz ao Museu do Prado foi na companhia de Eduardo Lourenço. Não me lembro de quanto tempo tivemos juntos, percorrendo as salas de um modo totalmente desprendido, esquecidos das horas e do tempo. Aconteceu como nos velhos contos medievais em que um minuto se torna mil anos, como com o monge que se distraiu a ver a paisagem e ao voltar já não conhecia os companheiros do convento, pois tinha passado um ror de tempo naquele minuto esquecido. Acho que tivemos duas ou três horas, pouco importa, a verdade é que Eduardo movia-se avidamente, com o prazer supremo de interrogador incessante, entre aquelas pinturas como se estivéssemos num labirinto.

Começámos, ao acaso, por Velásquez, e depressa fomos transpostos para o espírito espanhol, para Quixote e Unamuno, um e o outro encontravam-se e desencontravam-se nesse discurso incessante, como se trocassem de personalidades, e como se a realidade se tornasse ficção e a ficção passasse para o lado de cá do espelho. Camões, Cervantes eram postos em confronto. A realidade peninsular, tão próxima e tão distante.

Há sempre na reflexão de Eduardo Lourenço qualquer coisa de onírico. No concreto da pintura de Velásquez o que importava era ver o que não estava lá. Junto das “Meninas” interrogava-se sobre o fantástico. Tudo ali era real e misterioso, natural e forçado. Era a corte e a sua metáfora. E foi como que, de súbito, se estivesse diante de um romance, com o lado biográfico e o lado imaginoso, num momento em que a História pega asas e começa a sonhar com o que poderia ter acontecido.

Em frente de cada tela, Eduardo parava, e dissertava ora sobre o que tinha acabado de ver na sala anterior ou sobre o quadro ali do lado, ora sobre o momento político que então se vivia (caíra o muro de Berlim e estávamos a debater o futuro do mundo e da América latina na Casa da América, ali a dois passos em Cibeles). A política é um estranho ópio. E falou-se ainda de Fernando Pessoa interrogação permanente sobre os nossos mitos.

Eduardo Lourenço é um filómita e cultiva os mitos como modos de realizar a grande psicanálise mítica do destino português. A cultura é, para o ensaísta (discípulo de Montaigne e da sua pergunta sacramental “Que Sais-je), a vida, a encruzilhada entre a memória e o desejo, a recordação e a esperança, entre Garrett e Herculano, entre o “Orpheu” e a “Presença”.

Mas, de súbito, estávamos diante das telas mais dramáticas de Goya. Por um momento, todos os outros temas se calavam e vinha à ribalta a crueza desumana, o mistério e o absurdo da existência, o ser e o tempo, os grandes acontecimentos, que chocavam com o quotidiano mais comum – e Goya dividido entre o amor à terra e ao povo e o sonho da liberdade chegada com as tropas de Napoleão. O homem moderno vive na contradição e no paradoxo. Eduardo Lourenço, inesgotável, continuou naquele labirinto à procura da complementaridade entre  a  razão e o sentimento, entre  o  espírito e a carne, entre o eu e  o mundo todo dos outros."

Guilherme d’Oliveira Martins, artigo publicado no site do CNC, Centro Nacional de Cultura.

O Fado nasceu um dia...

O Fado nasceu um dia
 Quando o vento mal bulia
 E o céu o mar prolongava
 Na amurada dum veleiro
 No peito de um marinheiro 
Que estando triste cantava 
Que estando triste cantava 
(...)
           José Régio 

"Mariza interpreta canções de Amália no seu novo álbum, celebrando assim 20 anos de carreira no ano em que Amália faria 100 anos de vida.
 «Amália é uma inspiração maior, não só para mim, mas para tantos artistas portugueses e ainda muitos outros internacionais, assim como para todos os portugueses», explica Mariza. «Como diria o grande António Variações: ‘Todos nós temos Amália na voz’».
À guitarra e à viola, como é apanágio do fado, mas também com orquestra, como Amália provou ser possível, Mariza dá-nos a sua Amália. Com arranjos e direcção de orquestra de Jaques Morelenbaum, cúmplice eterno de Caetano Veloso e Ryuichi Sakamoto, que reencontra Mariza 15 anos depois de lhe ter produzido Transparente (2005), Mariza Canta Amália. Claro: Mariza sempre cantou Amália – logo no trabalho que a revelou, Fado em Mim (2001), já reinterpretava “Barco Negro” ou “Oiça Lá ó Senhor Vinho”, e ao longo dos seus sete trabalhos de estúdio e três registos de concerto anteriores, várias vezes gravou repertório de Amália.
Mas esta é a primeira vez que Mariza dedica todo um álbum ao seu repertório. E, dos dez temas escalados para Mariza Canta Amália, apenas se abalançara anteriormente a um – “Barco Negro”. Com os arranjos extraordinariamente líricos de Jaques Morelenbaum a permitir-lhe encontrar novos matizes, Mariza torna seus alguns dos maiores ex-libris de Amália: “Gaivota”. “Estranha Forma de Vida”. “Com que Voz”. “Fado Português”. “Povo que Lavas no Rio”. “Foi Deus”. Como nunca os ouvimos antes – e Mariza (re)cria-os como só Amália os soube (re)criar antes. Gravado entre Lisboa e o Rio de Janeiro, Mariza Canta Amália é o feliz encontro entre um repertório inesgotável, uma voz imortal e um produtor de excepção. Um encontro que não vamos esquecer tão cedo. O álbum foi trabalhado nos estúdios, “Nas Nuvens” e “Visom”, no Rio de Janeiro, entre Dezembro de 2019 e Fevereiro de 2020. Gravações adicionais também em Lisboa nos Atlântico Blue Studios e Bela-flor Recording Studios. " 
1. Com que voz  – Letra: Luís de Camões / Música: Alain Oulman
2. Barco Negro – Letra e Música: Caco Velho, Piratini / Adaptação da letra: David Mourão-Ferreira
3. Lágrima – Letra: Amália Rodrigues / Música: Carlos Gonçalves
4. Formiga Bossa Nova – Letra: Alexandre O’Neill / Música: Alain Oulman
5. Estranha forma de vida – Letra: Amália Rodrigues / Música: Alfredo Duarte
6. Cravos de papel –Letra: António Sousa Freitas / Música: Alain Oulman
7. Povo que lavas no rio – Letra: Pedro Homem de Mello / Música: Joaquim Campos
8. Foi Deus – Letra e Música: Alberto Janes
9. Gaivota –Letra: Alexandre O’Neill / Música: Alain Oulman
10. Fado Português – Letra: José Régio / Música: Alain Oulman
Não é, por isso, surpresa que Mariza homenageie finalmente Amália por inteiro. Como só ela o pode fazer: habitando o repertório da mais lendária de todas as fadistas a seu modo, e trazendo-o para o século XXI sem lhe retirar alma nem identidade. No seu 20º aniversário de carreira, no centenário do nascimento da Diva – «porque sinto que esta é a melhor forma de homenagear e agradecer todo o legado e inspiração que nos deixou» – Mariza revela-nos, finalmente, o projecto que há muito almejava: Mariza Canta Amália." Arte sonora
Mariza , em  Fado Português (Letra: José Régio / Música: Alain Oulman ), do novo Álbum " Mariza canta Amália".
    
Se canto 
não sei porque canto 
Misto de aventura, 
saudade, ternura 
Ou talvez amor
Só sei que cantando 
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto 
Nos deixa melhor
Foi Deus 
Que deu voz ao vento 
Luz ao firmamento
E pôs o azul nas ondas do mar 
Foi Deus 
que me pôs no peito 
Um rosário de penas 
que vou desfiando
e choro a cantar. 
Mariza, em  Foi Deus [ Official Audio Video ]Letra e Música: Alberto Janes, do novo Álbum " Mariza canta Amália".
 
Povo que lavas no rio 
Que talhas com o teu machado 
As tábuas do meu caixão 
Pode haver quem te defenda 
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não 
Mariza, em  Povo Que Lavas No Rio [ Official Audio Video ]Letra: Pedro Homem de Mello / Música Joaquim Campos, do novo Álbum " Mariza canta Amália".