sábado, 30 de dezembro de 2017

Alguns dos meus livros em 2107

Lê- se a vida  inteira para saber que livros reler na velhice, afirmou Autran  Dourado. Não há verdade maior. Há muito que releio  livros que me tocaram ou leio novos livros de autores que  sempre me seduziram. Tive uma vida inteira para praticar  o mais aliciante ofício:  leitora. Faço-o desde que descobri as letras. Os sons e a música, que delas vinham, capturaram-me para sempre. Nem sei quantos livros li. Creio que  qualquer leitor, que se preze e se orgulhe do seu estatuto, não o sabe. E nunca o saberá. A leitura não se contabiliza. Interioriza-se. 
Vivo rodeada de livros   e continuo a comprar livros.  Creio que fui abençoada, à nascença, por uma Fada Madrinha que me concedeu o dom do prazer da leitura. E ao erguer a varinha mágica  impôs que viesse embebido num espírito de curiosidade  sem fim. E tem sido. A curiosidade alimenta a procura de  livros. Sou uma eterna curiosa que se compraz  na magnificência  de uma obra prima, na riqueza  de um estruturado romance, na clareza de um arguto ensaio,  no   belo  esplendor de um   conto, num inconfundível e precioso opus memorialístico e no mais   maravilhoso  e  transcendente  canto que enche a poesia. 
Partindo deste princípio , elaborei uma lista aleatória de  alguns dos livros que li, com sedução redobrada, em 2017.
Começarei por Eugénio Lisboa, um dos expoentes máximos da Literatura Portuguesa  da actualidade. Foi homenageado, em Fevereiro, nas Correntes d'Escritas e viu  anunciado, pela primeira vez ,um galardoado com um prémio Literário com o seu nome: O Prémio Literário Eugénio Lisboa, instituído pela INCM para obras assinadas por escritores moçambicanos. Neste ano, esteve intensamente produtivo. Publicou dois livros. O primeiro em Fevereiro, um Diário de Viagens que complementa o V volume da sua obra memorialística, Acta est Fabula. O segundo ,  que dá um fim  inesperado a essa preciosa e  monumental  "Acta est Fabula", funcionando como um Epílogo .  Trata-se de uma sentida homenagem à  sua mulher , falecida em 2016, um profundo hino  de amor  e um pungente Diário de Luto.
Eis, pois,  algumas das minhas leituras em 2017:

De Eugénio Lisboa: 
- Diário de Viagens Fora da Minha Terra - 1996-2013, Opera Omnia Editora, Fevereiro de  2017
Acta Est Fabula, Memórias, EpílogoOpera Omnia Editora, Novembro de 2017

De Jorge Luis Borges:
- Este Ofício de Poeta, Relógio D'Água Editores, Setembro de 2017
- Nova Antologia Pessoal, Quetzal Editores, Outubro de 2017

De Hannah Arendt: 
- Desobediência Civil, Relógio D'Água Editores, Janeiro de 2017
De Arendt e Heidegger:
- Cartas , 1925-1975, Guerra&Paz Editores, Novembro de 2017

De Ludwig Wittgenstein:
- O Livro Azul, Edições 70

De Saul Bellow:
- Agarra O Dia, Fragmentos

De Virginia Woolf:
- Momentos de Vida, Ponto de Fuga, Açores, Abril de 2017

De Kent Haruf: 
- As nossas almas na noite, Penguin Random House, Setembro de 2017

De Luís Amorim de Sousa:
- Apesar de Tudo, Em memória de Alberto de Lacerda, Labirinto de Letras Editores, Março de 2017

De Oscar Wilde:
- O Livro das Tentações, Coisas de Ler Editores, Janeiro de 2008

De Leonardo Da Vinci:
- Fábulas, Editora Prefácio, 2006

De George Orwell:
- Na Penúria Em Paris e Em Londres,  Relógio D' Água Editores, Fevereiro de  2017

De Octavio Paz:
- Vislumbres de la India, Editorial  Seix Barral, Marzo 2014

De George Steiner: 
- Paixão Intacta Relógio D' Água Editores, Julho de 2003
- As Artes do Sentido,  Relógio D' Água Editores, Fevereiro de 2017

De Aldous Huxley:
- Sobre a Democracia e Outros Estudos, Círculo de Leitores

De Rui Knopfli:
 - nada tem já encanto, Tinta-da-China, Outubro de 2017

De Maria Teresa Horta:
 - Poesis, Publicações Dom Quixote, Junho de 2017

De Nuno Júdice:
- O Mito da Europa Publicações Dom Quixote, Abril de 2017

De António Osório:
- a ignorância da morte, Editorial Presença, 1982

Sem comentários:

Enviar um comentário