sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Um dia e outro dia

Um dia e outro dia                                  
                                                                    

          Um dia e outro dia
                          A surpresa perdura
Raiada cada vez mais
De negro

As águas prosseguem
                              indiferentes dir-se-ia
A uma e outra margem
Que não se encontrarão
Nunca

É tudo cada vez menos
Compreensível
Os olhos permanecem
Inteiramente abertos
Ao assombro

Segundo tudo indica
O rio não tem princípio
Nem fim

Nem depende do ser

Londres, 20 de Setembro 98
Alberto Lacerda, in Horizonte, Ed. INCM

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