Si yo encontrara la estrella que me guiara,
yo la metería muy dentro de mi pecho y la
venerara,
Si encontrara la estrella que en el camino me
alumbrara.
Enrique Morente, La Estrella
A música vivia em casa, connosco, todos os dias. Era música variada: portuguesa, estrangeira , ligeira ou clássica.
Muitos dos cantores da minha juventude chegaram-me através da minha Mãe. Estava sempre aberta à modernidade. A música era seleccionada, quando a melodia se lhe impunha. E cantava-a , logo que os sons lhe ficavam . Os Beatles acomodaram-se, lá em casa, a seu convite. Vieram, um a um, ao longo dos anos. E, com eles, muitos outros foram chegando. Todos se alinhavam para a deleitar, deleitando-nos.
E a música soltava-se, mais livre e mais forte, ao Domingo , nos grandes passeios de automóvel por este Portugal fora. Cantávamos todos. E éramos muitos. Viagens inesquecíveis de muita aprendizagem. Foi assim que conheci Portugal. De lés a lés, ao sabor dos sons e dos ensinamentos da minha Mãe, enquanto o meu pai conduzia.
A minha mãe amava a vida e nela impôs a sua marca: um legado de constante assombro e afectos.
Hoje era o dia do seu aniversário. Nasceu no século passado. Há muitos anos. Deixou-nos sem permissão. As mães deveriam ser eternas. Far-me-á sempre falta. Aliás nem sei verter a saudade que nunca parou de crescer com a sua ausência. Há dias em que se agudiza e a revejo bela como era, incitando-me apenas com aquele sorriso que sempre me apaziguou.
A Música deste domingo é a lembrança de um cante jondo que ela nos deu a conhecer porque o tinha na alma. De ascendência espanhola, filha e neta de gente da Andaluzia , os acordes de um seleccionado flamenco cresceram connosco, desde a infância.
À minha Mãe , " La Estrella", na mágica voz de Enrique Morente.
As Mães são sempre eternas. É lá, na eternidade, que as podemos encontrar, num encontro imorredouro.
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