sábado, 20 de dezembro de 2014

A Obra de Arte

A natureza da Obra de Arte
XX
“Descrevi noutro lado as circunstâncias em que conheci André Breton, no barco que nos levava a Martinica: longa viagem em que enganávamos a maçada e o desconforto discutindo sobre a natureza da obra de arte, primeiro por escrito, depois em conversa.
Para começar, eu tinha dado um texto a apreciar a André Breton. Ele respondeu-lhe e eu guardei a sua carta preciosamente. O acaso quis que, muito mais tarde, arquivando papéis velhos, eu tivesse encontrado o meu texto: Breton, provavelmente, tinha-mo devolvido.
Ei-lo seguido do texto inédito de Andre Breton. Agradeço a Madame Elisa Breton e Madame Aube Elleouet a autorização de publicação.

Nota sobre as relações da obra de arte e do documento, escrita e entregue a André Breton a bordo do Capitaine Paul Lemerle, em Março de 1941
No Manifesto do Surrealismo A. B.(André Breton) definiu a criação artística como a actividade absolutamente espontânea do espírito; tal actividade pode ser concebida como resultante de um treino sistemático e da aplicação metódica de um certo número de receitas: todavia a obra de arte define-se - e define-se exclusivamente — pelo seu carácter de liberdade total. Parece que neste ponto A. B. modificou sensivelmente a sua atitude (em A Situação Surrealista do Objecto). No entanto a relação que existe, segundo ele, entre a obra de arte e o documento não é perfeitamente clara. Se é evidente que toda a obra de arte é um documento, poderá admitir-se, como o implicaria uma interpretação radical da sua tese, que todo o documento seja, por isso mesmo, uma obra de arte? Partindo da posição do Manifesto, três interpretações são possíveis:
1) O valor estético da obra depende exclusivamente da sua maior ou menor espontaneidade, sendo a obra de arte mais válida (enquanto tal) definida pela liberdade absoluta da sua produção. Se qualquer pessoa, convenientemente treinada, é susceptível de atingir esta completa liberdade de expressão, então a produção poética está aberta a toda a gente. O valor documental da obra confunde-se com o seu valor estético; o melhor documento (avaliado como tal em função do grau de espontaneidade criadora) é também o melhor poema; de direito se não de facto, o melhor poema pode ser não apenas compreendido mas produzido por qualquer pessoa. Podemos conceber uma humanidade na qual todos os membros, exercitados por uma espécie de método catártico, seriam poetas.
Tal interpretação aboliria o conjunto de privilégios electivos englobados até ao presente sob a designação de talento; e se ela não nega o papel do esforço e do trabalho na criação artística, pelo menos desloca-os para um estádio anterior ao da criação propriamente dita: o da pesquisa difícil e da aplicação dos métodos para suscitar um pensamento livre.
2) Mantendo-se a interpretação precedente, verifica-se mesmo assim, a posteriori, que os documentos provenientes de um grande número de indivíduos, se, do ponto de vista documental, se podem considerar como equivalentes (quer dizer; resultantes de actividades mentais igualmente autênticas e espontâneas), não o são no entanto do ponto de vista artístico, já que alguns deles proporcionam uma fruição e outros não. Como continuamos a definir a obra de arte como um documento (produto bruto da actividade do espírito), admitiremos a distinção sem procurar explicá-la (e sem ter a possibilidade dialéctica de o fazer). Constataremos a existência de indivíduos poetas e de outros que o não são, apesar da identidade completa, das condições das suas respectivas produções. Toda a obra de arte continua a ser um documento, mas deverá distinguir-se, de entre esses documentos, os que são também obras de arte dos que são apenas documentos. Mas como uns e outros permanecem definidos como produtos brutos, essa distinção, impondo-se a posteriori, será considerada em si própria como um dado primitivo, escapando, pela sua natureza, a qualquer interpretação. A especificidade da obra de arte será reconhecida sem que seja possível detectá-la. Constituirá um «mistério».
3) Finalmente, uma terceira interpretação, mantendo o princípio fundamental do carácter irredutivelmente irracional e espontâneo da criação artística, distingue entre o documento, produto bruto da actividade mental, e a obra de arte que consiste sempre numa elaboração secundária. É evidente, no entanto, que esta elaboração não pode ser produto do pensamento racional e crítico; tal eventualidade deve ser radicalmente excluída. Mas poderá supor-se que o pensamento espontâneo e irracional pode, em certas condições, e em alguns indivíduos, tomar consciência de si próprio e tornar-se verdadeiramente reflexivo, estando entendido que esta reflexão se exerce segundo normas que lhe são próprias, e tão impermeáveis à análise racional como a matéria à qual se aplicam. Esta «tomada de consciência irracional» implica uma certa elaboração do dado bruto, exprime-se através da escolha, da eleição, da exclusão, da regulamentação em função de estruturas imperativas. Embora toda a obra de arte continue a ser um documento, ultrapassa o plano documental, não apenas pela qualidade da expressão bruta, mas também pelo valor da elaboração secundária que, de resto, apenas se chama «secundária» em relação aos automatismos de base mas que, em relação ao pensamento crítico e racional, apresenta a mesma característica de irredutibilidade e de primitividade que esses mesmos automatismos.
A primeira interpretação não está de acordo com os factos; a segunda subtrai o problema da criação artística à análise teórica. Pelo contrário, a terceira é a única que parece susceptível de evitar certas confusões, às quais o surrealismo nem sempre parece ter escapado, entre o que é esteticamente válido e o que o não é, entre o que o é mais e o que o é menos. Qualquer documento não é necessariamente uma obra de arte, e tudo o que constitui uma ruptura pode ser igualmente válido para o psicólogo ou para o militante, mas não para o poeta, mesmo se o poeta também for um militante. A obra de um débil mental tem um interesse documental tão grande como a de Lautréamont, pode ter uma eficácia polémica superior, mas uma é uma obra de arte e a outra não, e é preciso ter o meio dialéctico de dar conta da diferença, e também da possibilidade de Picasso ser melhor pintor do que Broque, de Apoilinaire ser um grande poeta e Roussel não, de Salvador Dali ser um grande pintor e ao mesmo tempo um escritor detestável. Se estes juízos apenas são dados a título de exemplo, juízos deste teor, ainda que talvez diferentes ou opostos, não deviam deixar de constituir o termo absolutamente necessário da dialéctica do poeta e do teórico.
Já que as condições fundamentais da produção do documento e da obra de arte foram reconhecidas como idênticas, estas distinções essenciais só podem ser adquiridas deslocando a análise da produção para o produto e do autor para a obra.
Relendo hoje esta nota manuscrita, a inabilidade do pensamento constrange-me, tal como a deselegância da expressão. Desculpa fraca: é evidente que escrevi de jacto (apenas duas palavras rasuradas). Teria preferido esquecê-lo. Mas seria uma injustiça para o importante texto que Breton me enviou como resposta. Sem o meu, o seu tema seria incompreensível.
No manuscrito de Breton, cuidadosas rasuras tornam indecifráveis uma dezena de palavras ou membros de frases, substituídos por uma nova redacção nas entrelinhas onde surgem também alguns acrescentos. As correcções feitas às últimas linhas, muito emendadas, não permitem avaliar se Breton, com menos pressa de acabar, teria optado por uma construção gramatical ou se deliberadamente a rejeitou.
Resposta de André Breton
A contradição fundamental que você sublinha não me escapa: ela permanece, apesar dos meus esforços e de mais alguns para a reduzir (mas não me preocupa nem poderia confundir-me porque sei que nela reside o segredo do movimento para a frente que permitiu ao surrealismo durar). Claro que, naturalmente, as minhas posições variaram sensivelmente desde o 1° manifesto. No interior de textos-programa deste tipo, que não comportam a expressão de nenhuma reserva, de nenhuma dúvida, cujo carácter essencialmente agressivo exclui toda a casta de subtilezas, é óbvio que o meu pensamento tende a adquirir um tom extremamente brutal, mesmo simplista, que não lhe conheço interiormente.
Esta contradição que o choca é, creio, a mesma que Caillois, como eu lhe dizia, rebateu de um modo tão severo. Tentei explicar-me num texto intitulado «A beleza será convulsiva» (Minotaure n°5) e retomado no início de L’Amour fou. Com efeito, cedo alternadamente - e afinal por que não? não sou o único — a dois apelos muito distintos: o primeiro leva-me a procurar na obra de arte uma fruição (é a única palavra exacta, você emprega-a, já que a análise deste sentimento em mim não me dá senão elementos para-eróticos); o segundo, que se manifesta independentemente ou não do primeiro, leva-me a interpretá-la em função da necessidade geral de conhecimento. Estas duas tentações, que distingo no papel, nem sempre são separáveis (tendem a confundir-se também em muitas passagens de Uma época no Inferno).
Escusado será dizer que, se qualquer obra de arte pode ser considerada sob o prisma do documento, a recíproca não poderia de forma nenhuma sustentar-se.
Examinando sucessivamente as suas três interpretações, não me sinto nada embaraçado em lhe dizer que apenas me sinto absolutamente próximo da última. No entanto, algumas palavras a propósito das precedentes:
1) Não estou seguro de que o valor estético da obra dependa da sua maior ou menor espontaneidade. Eu tinha muito mais em vista a sua autenticidade do que a sua beleza, e a definição de 1924 testemunha-o: «Ditame do pensamento.., fora de qualquer preocupação estética ou moral. » Não lhe pode passar despercebido que a omissão deste último membro da frase pudesse ter privado o autor de textos automáticos de uma parte da sua liberdade: seria preciso começar por defendê-lo de qualquer juízo deste tipo se quiséssemos evitar que ele fosse por isso constrangido a priori e se comportasse de acordo com isso. Infelizmente isto não foi completamente evitado (mínimo de organização do texto automático em poema: deplorei-o na minha carta a Rolland de Reneville publicada em Points du Jour mas é fácil ter em conta esta preocupação e de a retirar da obra considerada).
2) Não estou tão seguro como você da enorme diferença qualitativa que existe entre os diversos textos completamente espontâneos que se podem obter. Sempre me pareceu que o principal elemento de mediocridade susceptível de intervir era devido à impossibilidade em que se encontram muitas pessoas de se colocarem nas condições requeridas para a experiência. Contentam-se em registar um discurso descosido, onde se iludem com os despropósitos, o absurdo, mas podemos constatar por sinais facilmente discerníveis, que não se expuseram verdadeiramente, o que basta para afastar o seu pretenso testemunho. — Quando afirmo que não estou tão seguro disso como você é sobretudo porque ignoro como é que a ipseidade (comum a todos os homens) se encontra repartida (igualmente ou, se o está desigualmente em que medida?) entre os homens. Só uma investigação de carácter sistemático e que deixe provisoriamente os artistas de lado nos poderia esclarecer a este propósito. A hierarquização das obras surrealistas não me interessa praticamente nada (ao contrário do que Aragon afirmava em tempos: «Se escreverem de maneira puramente surrealista algumas imbecilidades tristes, serão sempre imbecilidades tristes»); o mesmo se passa, como o dei a entender, com a hierarquização das obras românticas ou simbolistas. A minha classificação destas últimas obras diferiria radicalmente da que é aceite e, sobretudo, tenho a objectar a estas classificações o facto de nos fazerem perder de vista o significado profundo, histórico desses movimentos.
3) Será que a obra de arte exige sempre esta elaboração secundária? Sim, sem dúvida, mas somente no sentido muito lato em que você o entende: «tomada de consciência irracional», e mesmo assim, em que nível de consciência se opera essa elaboração? Em todo o caso, estaríamos apenas no pré-consciente. As produções de Hélène Smith em estado de transe não poderão ser tomadas como obras de arte? E se chegássemos a demonstrar que certos poemas de Rimbaud são pura e simplesmente sonhos acordados, você apreciá-los-ia menos? Relegá-los-ia para a gaveta dos «documentos»? A distinção continua a parecer-me arbitrária. Torna-se, a meu ver, especiosa, quando você opõe Apollinaire poeta a Roussel não-poeta ou Dali pintor a Dali escritor. Tem a certeza de que o primeiro destes juízos não é demasiado tradicionalista, de que não reproduz demasiado a «velharia poética»? Não considero Dali um grande «pintor» e isto pela excelente razão de que a sua técnica é manifestamente regressiva. O que me interessa nele é o homem e a sua interpretação poética do mundo. Por isso, não posso associar-me à sua conclusão (mas isto você já o sabia). Há outras razões mais imperiosas que argumentam em favor da sua não aceitação da minha parte. Essas razões, insisto, são de ordem prática (adesão ao materialismo histórico). É verdade que o alijar da responsabilidade psicológica é necessário à obtenção da atitude inicial de que tudo depende, mas é a responsabilidade psicológica e moral mais profunda: identificação progressiva do eu consciente com o conjunto das suas concreções (está muito mal dito) considerado como o teatro no qual ele é chamado a produzir-se e reproduzir-se, tendência para a síntese do princípio do prazer com o princípio da realidade (desculpe por ficar uma vez mais no limiar do meu pensamento sobre este assunto); concordância a todo o preço do comportamento extra-artístico e da obra: anti-valerismo.” Claude Levi-Strauss, in "Olhar, ouvir, ler", Tradução de Teresa Meneses, Edições Asa, 1995

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Uma Europa desumanizada

"O mar está cheio"
“Só este ano, 207 mil pessoas tentaram fugir para a Europa através do mar Mediterrâneo, entre as quais 3400 que perderam a vida”, informa o Tageszeitung num tom alarmante. Quase todos os meses se atingem “novos recordes” em matéria de refugiados: “mais pedidos de asilo, mais refugiados chegados de barco, mais mortos, mais pessoas deslocadas, mais vítimas de guerra”, lamenta o diário alemão.
Este último explica que enquanto a miséria não for erradicada em África, o problema não será resolvido. Recorda que há várias décadas que os países industrializados se comprometeram a “dedicar 0,7% do seu PIB para ajudar o desenvolvimento” e que estes objectivos estão longe de ser alcançados. A proporção da riqueza produzida pela Alemanha dedicada a esta causa representa apenas 0,38% do PIB”, “11 mil milhões a menos do que o previsto”. O diário sublinha que, quando a Itália interrompeu o programa de resgate marítimo “Mare Nostrum”, nomeadamente sob a pressão da Alemanha, a UE decretou uma sentença de morte para milhares de refugiados. Ninguém ficou surpreendido. Consideramos que o facto de as pessoas morrerem no Mediterrâneo faz parte da realidade, que lamentamos mas podemos mudar. E isto é o verdadeiro escândalo.”11 Dezembro 2014, VoxEurop, Die Tageszeitung 


A decisão do Tribunal 
"No dia 11 de Novembro, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que os Estados-membros da União não são obrigados a conceder prestações sociais aos cidadãos de outros Estados-membros que se instalam no seu território com a finalidade de receber ajuda social.
Uma decisão relativamente bem recebida pela imprensa europeia.
“Tribunal de Justiça da União Europeia sanciona o ‘turismo social’”, titula o Les Echos, que relembra que “o Tribunal tinha sido consultado por uma romena, Elisabeta Dano, “que vive com a filha na casa da irmã, em Leipzig, desde 2010, e a quem o centro de emprego recusou prestar ajuda social”. O diário acrescenta que a questão do turismo social é […] abordada no debate europeu há cerca de dois anos. A principal interessada nesta questão é a Grã-Bretanha, uma vez se trata de um dos principais ângulos de ataque de David Cameron, que tenciona renegociar as condições da Grã-Bretanha em relação à qualidade de membro da União Europeia. No entanto, num passado recente, a Alemanha, a Holanda e a Áustria também assumiram uma posição crítica contra os imigrantes europeus que beneficiam dos seus sistemas sociais. A Bélgica, por sua vez, já procedeu à expulsão de alguns imigrantes da União, que procuravam emprego e eram, portanto, considerados uma “sobrecarga injustificada” para o país, ou seja, um motivo muito idêntico ao invocado pelo Tribunal de Justiça da UE.
O Die Zeit titula “As autoridades têm o direito de recusar a atribuição do Hartz-IV aos cidadãos europeus” e considera a decisão “justa”, realçando que tal como antigamente, os cidadãos europeus têm o direito de procurar trabalho em toda a Europa e, se ficarem sem emprego, têm direito a ajudas sociais do Estado onde trabalharam. O que é justo. No entanto, seria injusto se os países ricos do norte tivessem de desempenhar o papel dos serviços sociais da União. Os juízes do Tribunal de Justiça da União Europeia sancionaram este princípio a nível jurídico.
Para o The Daily Telegraph, “os turistas sociais europeus arriscam-se a ser reenviados para o seu país natal após este acórdão histórico”. O diário recorda que o assunto está no âmago do debate político no Reino Unido e sublinha que com esta decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, David Cameron prossegue de vento em popa. O primeiro-ministro britânico louvou o acórdão, qualificando-o de “um bom passo na direcção certa” e de “bom senso”. Cameron prometeu limitar de forma significativa a imigração e ser firme relativamente ao “turismo social”, quando propôs um referendo sobre a adesão do Reino Unido à UE." 12 Novembro 2014 VoxEurop Les Echos, Die Welt, The Daily Telegraph 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Amor, a mais poderosa força antipolítica

O amor é a mais  poderosa força antipolítica
“O amor, em virtude de sua paixão, destrói o ‘entre’, esse espaço que nos relaciona com outros e nos separa deles. Enquanto dura seu encanto, o único ‘entre’ que pode inserir-se no meio de dois amantes é a criança, o próprio produto do amor. A criança, esse ‘entre’ com que os amantes agora estão relacionados e mantêm em comum, é representativa do mundo onde ela também os separa; é uma indicação de que eles inserirão um novo mundo no mundo existente. Por meio da criança, é como se os amantes retornassem ao mundo do qual seu amor os expeliu. Mas essa nova mundanidade, resultado e único final possíveis de um caso de amor, é, num certo sentido, o final de um amor, que deve superar novamente os padrões ou ser transformado em outro modo de estar juntos. O amor por sua natureza não é mundano, e é por isso — não por raridade — que é não apenas apolítico, mas antipolítico, talvez a mais poderosa de todas as forças antipolíticas humanas.”
 Hannah Arendt, in "A Con­dição Hu­mana”, Ed. Relógio D' Água

A Nouvelle Revue Française e a Grande Guerra

35 & 37, rue Madame, siège des Éditions de la NRF de 1912 à 1921. Photo Henri Manuel. Archives Éditions Gallimard
                                35 &37, rue Madame, siège des Éditions de la NRF en 1914
La NRF et la Grande Guerre
Les Éditions de la NRF ont un peu plus de trois ans d’existence et près d’une soixantaine d’ouvrages inscrits à son catalogue lorsque la guerre éclate le 2 août 1914. Le conflit faillit avoir raison de ce petit comptoir d’édition encore précaire et dépourvu d’assise financière solide. La NRF sortira cependant renforcée de cette douloureuse expérience, maintenant son catalogue et mettant en place après l’armistice les cadres qui en feront une Maison incontournable dans les années 1920 et 1930.         
Créées sous l’impulsion d’André Gide en 1911, les Éditions de la NRF occupent à la veille de la Grande Guerre une place marginale dans le paysage éditorial français. Adossées à La NRF — revue fondée en février 1909 —, elles ont pour vocation de publier, hors de toute préoccupation mercantile, les œuvres inscrites aux sommaires de la revue dans d’élégants volumes destinés aux bibliophiles. Tout comme Gide espère « de cette l’entreprise un extraordinaire assainissement de la littérature (et de la typographie) », le groupe de la NRF entend aussi rénover la scène dramatique et associe une scène aux Éditions en 1913, en créant le Théâtre et la troupe du Vieux-Colombier. La déclaration de guerre interrompt brutalement la parution de la revue, l’activité du comptoir d’édition et la deuxième saison du Vieux-Colombier.

 Leia um pouco mais em:

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Novo álbum de Bob Dylan

Novo álbum de Bob Dylan editado em Fevereiro
O novo álbum de Bob Dylan, Shadows in the Night, o 36.º de estúdio da sua carreira, será editado em Portugal no dia 2 de Fevereiro, anunciou a discográfica Columbia Records.
Shadows in the Night, segundo a mesma fonte, é produzido por Jack Frost e constituído por dez faixas, sucedendo a Tempest, editado em 2012.
"Foi um verdadeiro privilégio fazer este álbum. Queria fazer algo deste género há muito tempo, mas nunca tive a coragem suficiente para abordar arranjos complicados de 30 elementos e reduzi-los a uma banda com cinco elementos. É essa a chave para todos estes desempenhos. Conhecemos estes temas extremamente bem. Foi tudo feito ao vivo. Talvez em um ou dois 'takes'", afirma Bob Dylan no mesmo comunicado.
O compositor salienta ainda que o álbum foi realizado "sem 'overdubbing'. Sem cabines de gravação de vozes. Sem auscultadores. Sem faixas separadas e, na maioria, misturadas à medida que iam sendo gravadas".
"Não me vejo a disfarçar estas canções de qualquer forma. Já estiveram disfarçadas tempo suficiente. Na verdade, enterradas. O que eu e a minha banda estamos a fazer é destapá-las. Retirá-las do buraco e trazê-las à luz do dia", remata Dylan, de 73 anos.
Para Rob Stringer, da Columbia, "Bob Dylan conseguiu encontrar uma forma de dar uma nova vida e relevância contemporânea a estes temas".
"Não existem cordas, metais, coros ou outros dipositivos muitas vezes encontrados em álbuns que incluem baladas padrão. É um disco magnífico e estamos extremamente entusiasmados por apresentá-lo em breve ao mundo", remata o presidente da Coumbia Records.
O álbum Time Out Of Mind, editado em 1997, que foi disco de platina, conquistou vários prémios Grammy, nomeadamente na categoria de Álbum do Ano, seguiu-se o Cd Love and Theft, também alcançou o galardão platina e várias nomeações para os Grammy, tendo sido distinguido na categoria de Melhor Álbum Folk Contemporâneo.
Modern Times, editado em 2006, vendeu mais de 2,5 milhões de cópias no mundo e conquistou dois Grammy para o cantor.
O CD seguinte, Together Through Life, foi o primeiro álbum do artista a estrear-se no n.º 1 das tabelas dos Estados Unidos e Reino Unido, entre outros países, tendo vendido mais de um milhão de cópias. "Tempest" alcançou Top Cinco em 14 países.
Em 2000 Dylan recebeu, em Estocolmo, o Prémio Polar, apontado como o Nobel da Música, e um doutoramento pelas universidades de St. Andrews, na Escócia, e Princeton, nos Estados Unidos.
Dylan conquistou um Óscar e um Globo de Ouro, em 2001, com a canção Things Have Changed, do filme Prodígios e publicou um livro de memórias, Chronicles.
Recentemente, Bob Dylan recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honra atribuída a um civil nos Estados e recebeu um Prémio Pulitzer Especial em 2008 pelo "seu profundo impacto na música popular e cultura norte-americana, marcada por composições líricas de extraordinário poder poético", segundo afirmou a organização dos prémios.
No ano passado o autor de Song to Woody foi condecorado pelo Governo francês com o grau de Oficial da Legião de Honra.
O cantor, poeta e compositor norte-americano já vendeu mais de 125 milhões de discos em todo o mundo, segundo dados revelados pela discográfica.” Lusa, DN

"Full Moon and Empty Arms" é uma canção muito popular de 1945 a 1945 composta por Buddy Kaye e Ted Mossman, inspirada no Concerto No. 2 para Piano de Sergei Rachmaninoff.
A melhor versão desta canção foi feita por Frank Sinatra, em 1945.

A célebre  interpretação de "Full Moon and Empty Arms" por Frank Sinatra . 


Sergei Rachmaninoff (1873-1943) interpretando o  1º movimento (Moderato) do Concerto No. 2 para Piano 
Escrito entre  1900 e 1901, Rachmaninoff  dedicou muitas horas diárias durante seis longos meses para compor esta obra.
O Concerto foi apresentado ao público em Outubro de 1927, em Moscovo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Um dia nos libertaremos

Glória

Um dia se verá que o mundo não viveu um drama.

Todas estas batalhas, todos estes crimes,
Todas estas crianças que não chegaram a desdobrar-se em carne viva
E de quem, contudo, fizeram carne viva logo morta,
Todos estes poetas furados por balas
E todos os outros poetas abandonados pelos que
Nem coragem tiveram de matar um homem,
Toda esta mocidade enganada e roubada
E a outra que morreu sabendo que a roubavam,
Todo este sangue expressamente coalhado
À face íntegra da terra,
Tudo isto é o reverso glorioso do findar dos erros.

Um dia nos libertaremos da morte sem deixar de morrer.
06.04.1942
Jorge de Sena, in “ Coroa da Terra”,Porto, Lello&Irmão, 1946


A POLÍTICA DO DIA

Hoje a vida tem o sorriso
dentífrico dos candidados
e pelas ruas nos aponta
o céu em múltiplos retratos

céu não póstumo ou merecido
em cruel sala de espera
mas entre parêntesis de fogo
festiva véspera de guerra.

Teor de montras a vida
com democrático amor
a todos deixa gozar
sua dose de consumidor.

Publicitária a vida faz
sua campanha eleitoral:
É entrar meus senhores, quem dá mais
por princípios que não têm final?

Televisor férias de verão
tira a vida do seu discurso
e um partido providencial
que nos domestica o urso.

Popular a vida é toda
pétalas de apertos de mão.
Que meus versos me salvem
de cair nesse alçapão!


Natália Correia, in O Sol Nas Noites e O Luar Nos Dias, Círculo de Leitores, Março de 1993

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Prémios de investigação e Literários 2014

PRÉMIO PESSOA 2014

Investigador Henrique Leitão vence Prémio Pessoa

“O Investigador Henrique Leitão venceu o Prémio Pessoa. O prémio é de 60 mil euros e reconhece a intervenção de uma personalidade portuguesa na vida cultural e científica do país.
Prémio Pessoa 2014 foi atribuído ao investigador Henrique Leitão, investigador no Centro Interuniversitário da História das Ciências e Tecnologia, conforme anunciou esta sexta-feira o presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no Palácio de Seteais, em Sintra. O prémio, que conta já com 28 edições, pretende reconhecer a intervenção de uma personalidade portuguesa na vida cultural e científica do país.
Com 50 anos completos há pouco mais de um mês, o físico têm dedicado os últimos anos à investigação da história da ciência em Portugal. “Um interesse antigo, que se foi intensificando depois de finalizar o doutoramento”, contou ao Observador Henrique Leitão, acrescentando que se dedica a esta área a tempo inteiro desde 2002. Trabalhando na história da ciência como um todo, sobretudo nos séculos XV, XVI e XVII, o investigador valoriza sobretudo a história portuguesa. “O passado científico português é muito mais vivo do que se pensa.”
O júri deixou em ata que: “No âmbito desse trabalho inovador de reconstrução histórico científica do legado científico português e peninsular para a Modernidade, Henrique Leitão tem sido a personalidade em torno da qual se constituiu uma escola de pensamento neste domínio científico, cujo reconhecimento pela comunidade académica internacional deve ser sublinhado, motivando investigadores portugueses e estrangeiros.”
Montar um grupo de trabalho dedicado à história da ciência, que reúne um grupo de investigadores reconhecido internacionalmente é um dos maiores motivos de satisfação para Henrique Leitão, que aproveita para dedicar o prémio a todas as pessoas com as quais trabalha. “É um prémio que premeia um trabalho muito importante que se tem feito sobre a história da ciência em Portugal ao nível académico mais elevado. Estou muito contente que tenha tido esse reconhecimento”, disse à agência Lusa.
A combinação da “sólida formação científica com um conhecimento humanista” torna Henrique Leitão um “verdadeiro cultor da interdisciplinaridade”, referiu Francisco Pinto Balsemão. O júri destacou o trabalho deste investigador pelo “contributo para resolver um problema científico em aberto há um século, o Método da Projecção de Mercator”, em 2014, e “pela projecção nacional e internacional da Exposição 360º Ciência Descoberta”, realizada em 2013 na Fundação Calouste Gulbenkian. A exposição deu “a conhecer ao grande público a importância crítica que a Península Ibérica teve para o desenvolvimento científico e o progresso civilizacional”. Mas no âmbito do trabalho que realiza Henrique Leitão destaca também a publicação das obras de Pedro Nunes – matemático e cosmógrafo português do século XVI.
Sem saber ainda o que vai fazer com o prémio de 60 mil euros, o também docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa garante que a maior parte vai ser doado a pessoas que conhece e que sabe que estão a precisar, como alguns alunos que não têm dinheiro para pagar as propinas, contou Henrique Leitão.
O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário Expresso com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos. Presidido por Francisco Pinto Balsemão (presidente da holding Impresa, que detém o jornal Expresso), o júri integra ainda o presidente da Caixa Geral de Depósitos Álvaro Nascimento, o presidente executivo da Impresa Pedro Norton, a jornalista Clara Ferreira Alves, e vários cientistas, académicos e outras personalidades, como António Barreto, Diogo Lucena, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery, Viriato Soromenho-Marques e Maria Manuel Mota, vencedora em 2013, pelos estudos desenvolvidos sobre a malária.
O Prémio Pessoa é atribuído anualmente desde 1987 e já foi atribuído ao historiador José Mattoso, aos poetas António Ramos Rosa e Herberto Helder (que recusou o galardão), à pianista Maria João Pires, aos investigadores António e Hanna Damásio, aos arquitetos Eduardo Souto de Moura e Carrilho da Graça e ao ensaísta Eduardo Lourenço, por exemplo.” Observador


Sérgio Rodrigues vence Prémio Portugal Telecom de Literatura 2014
quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014
Autor da obra "O Drible" vence na categoria romance e é distinguido com o Grande Prémio Portugal Telecom 2014


"O escritor mineiro Sérgio Rodrigues é o vencedor da 12.ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, anunciado em 8 de Dezembro, no Oi Futuro em Ipanema. A cerimónia, promovida pela primeira vez no Rio de Janeiro, foi apresentada pela actriz Fernanda D’Umbra e pelo actor Marat Descartes.
O livro O Drible (Companhia das Letras), de Sérgio Rodrigues, foi eleito na categoria Romance, Observação do verão seguido de Fogo (Móbile Editorial), do português Gastão Cruz, ganhou na categoria Poesia e Entre moscas (Confraria do Verbo), do cearense Everardo Norões, venceu entre as obras de Contos/Crónicas.
Sérgio Rodrigues foi ainda o vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom, disputado entre os vencedores das três categorias.
Romance faz homenagem ao universo futebolístico
O Drible é o terceiro romance de Sérgio Rodrigues e baseia-se no lance falhado por Pelé no Mundial de 1970, na meia-final contra o Uruguai, vista e revista por pai e filho num velho aparelho de TV, para cobrir cinco décadas de um sombrio drama familiar.
Nascido em Muriaé, em 1962, e radicado no Rio de Janeiro, Sérgio Rodrigues é autor dos blogs Todoprosa e Sobre Palavras, ambos da Veja Online. Antes disso, trabalhou como repórter, editor e colunista de vários meios da imprensa brasileira, como o Jornal do Brasil, a Folha de S. Paulo, O Globo e a TV Globo.
Antes de se especializar em jornalismo cultural, trabalhou vários anos como jornalista desportivo, experiência usada para dar vida à obra vencedora.
Gastão Cruz vence na categoria Poesia
Nasceu em Faro, no ano de 1941, e estreou-se na literatura em 1961, na revista Poesia 61. Desde então, a obra de Gastão Cruz não parou de crescer. O seu trabalho Rua de Portugal foi vencedor do Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores 2003 e O pianista foi reconhecido com o Prémio Poesia do Pen Club 1985, entre outros.
Everardo Norões premiado na categoria Contos/Crónicas
Contista, poeta e tradutor, Everardo Norões nasceu em Crato, em 1944. Autor de uma dezena de livros, entre eles Miguel Torga e o dicionário da terra (2007), Retábulo de Jerônimo Bosch (2008), W.B. & os dez caminhos da cruz (2012) e O fabricante de histórias (2012), consta em diversas antologias nacionais e internacionais
Atribuição de prémios
O resultado do Prémio Portugal Telecom de Literatura 2014 foi decidido pelo júri formado pela curadora-coordenadora e consultora literária da Portugal Telecom, Selma Caetano, a escritora Cintia Moscovitch (curadora de contos e crónicas), o poeta Sérgio Medeiros (curador de poesia), o crítico literário Lourival Holanda (curador de romance), e pelos jurados eleitos pelo júri inicial João Cezar de Castro Rocha, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Luiz Costa Lima, Manuel da Costa Pinto e Regina Zilberman.
Este ano, o prémio distribuiu o total de 200 mil reais (mais de 60 mil euros), divididos da seguinte forma:
  • Prémio Portugal Telecom Romance: 50 mil reais (cerca de 15 mil euros);
  • Prémio Portugal Telecom Poesia: 50 mil reais (cerca de 15 mil euros);
  • Prémio Portugal Telecom Conto/Crónica: 50 mil reais (cerca de 15 mil euros);
  • Grande Prémio Portugal Telecom 2014: 50 mil reais (cerca de 15 mil euros).
Booktrailers envolveram alunos da Oi Kabum!
Pelo 3.º ano estudantes da Oi Kabum!, Escola de Arte e Tecnologia do Oi Futuro, Instituto de Responsabilidade Social da Oi, foram responsáveis pela criação das booktrailers dos finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura.
Os jovens, com idades entre os 16 e os 21 anos, são moradores de comunidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, e foram desafiados a criar vídeos de até um minuto que transpusessem o universo de cada obra finalista para a linguagem audiovisual.
Selecção do prémio realizada em três etapas
Em 2014, a inscrição ao prémio foi novamente dividida nas categorias poesia, romance e conto/crónica. As categorias foram avaliadas separadamente.
A escolha dos vencedores foi feita em três etapas. Na primeira etapa de votação, um júri de 206 profissionais de literatura em língua portuguesa indicados pela curadoria seleccionou por meio de votação online 64 semifinalistas ao prémio, de um total de 489 livros inscritos, todos publicados no Brasil, em 2013.
Na segunda etapa, o júri intermediário avaliou as 64 obras classificadas na etapa anterior e elegeu os doze finalistas (quatro de cada categoria).
Na terceira etapa, o júri final escolheu o vencedor de cada categoria entre os 12 finalistas da etapa anterior, e, depois de votar nos três vencedores, realizou nova discussão para eleger o Grande Prémio Portugal Telecom 2014, entre os três vencedores."

domingo, 14 de dezembro de 2014

Ao Domingo Há Música

Señoras y señores:

"A todos los que a través de su vida se han emocionado con la copla lejana que viene por el camino, a todos los que la paloma blanca del amor haya picado en su corazón maduro, a todos los amantes de la tradición engarzada con el porvenir, al que estudia en el libro como al que ara la tierra, les suplico respetuosamente que no dejen morir las apreciables joyas vivas de la raza, el inmenso tesoro milenario que cubre la superficie espiritual de Andalucía y que mediten bajo la noche de Granada la trascendencia patriótica del proyecto que unos artistas españoles presentamos.
(19 de febrero de 1922)"
Frederico Garcia Lorca

"Em 1922, o poeta granadino, cuja formação musical lhe permitiu aceder a um conhecimento mais aprofundado do cancioneiro espanhol, profere uma conferência ­­­– «El cante jondo: primitivo canto andaluz». Filho da Andaluzia como o "cante jondo" e seu "duende", Federico García Lorca, um apaixonado por tal arte, foi um dos poetas espanhóis mais representativos do século XX. A relação entre o poeta de Granada e o "cante jondo" é profunda e importantíssima para a valorização da arte andaluza e inclusive para a compreensão da obra de Lorca. O "cante jondo", segundo o poeta, é o canto mais profundo, um canto escuro e misterioso onde a magia do "duende" se manifesta em um momento imóvel e único. Para Lorca, a arte espanhola é movida pelo "duende", espécie de espírito mágico, passional e original. Lorca também é considerado por muitos como um autor passional e muito apegado a sua terra. Poema del cante jondo é então uma viagem pelas entranhas de sua terra e uma busca constante pelo "duende" espanhol. Porém, como será que o duende de Lorca se manifesta em tal obra se é que isso acontece? O duende é amigo da improvisação, mas a constituição de um poema depende também da engenhosidade do poeta. "
O espaço musical deste Domingo é dedicado a esse cante jonde. Canto que tão profundo e misterioso nos toma e arrebata porque cúmplice das penas e das alegrias do seu povo, o cantaor esconjura com «voz de sangre», através das sentidas letras e dos longos e dolorosos melismas, como num ritual, as angústias que lhe assaltam a alma, crendo que quem o escuta comungará, por empatia, da sua dor e que esta será, assim, mitigada.
A arte do flamenco requer,  pois,  vozes, talento e sentimento. Escolhemos duas vozes deste novo tempo, Miguel Proveda e Concha Buika,  num conjunto de quatro registos que cada um poderá seleccionar à la carte.

"Miguel Ángel Poveda León, nasceu  em  Barcelona (13 de Fevereiro de 1973) e cresceu em Badalona. Começou a cantar  em torno de   las peñas flamencas de Cataluña, aos 15 anos . Em 1993, inicia a carreira como profissional. Ganha quatro prémios: Premio Lámpara Minera (o mais apreciado do mundo flamenco)   e três prémios nas modalidades de La Soleá, La Cartagenera y La Malagueña no  Festival Nacional del Cante de las Minas de La Unión (Murcia).
Participou nos principais festivais de música nacional e internacional, cantando em auditórios como o Odeón de París, o Liceo de Barcelona, o Teatro Real de Madrid, o  Carnegie Hall e o Lincoln Center de Nueva York, o Wiener Koncerthaus de Viena, o Teatro Colón de Buenos Aires, o Auditorium Parco della Musica de Roma, o  Sadler’s Wells de Londres, o Maestranza de Sevilla.
Colaborou com artistas como Enrique Morente, Carmen Linares, Paco de Lucía, Manolo Sanlúcar, Joan Manuel Serrat, Santiago Auserón, Israel Galván, Eva Yerbabuena, Manuela Carrasco, Raphael, Isabel Pantoja, Martirio, Rodolfo Mederos, Tomatito, Antonio Carmona, Pasión Vega, Matilde Coral, Giovanni Hidalgo, Maria del Mar Bonet, Mariza, Pedro Guerra, Alberto Iglesias, Chavela Vargas, Manuel Carrasco, Josemi Carmona, María Dolores Pradera, Alejandro Sanz e muitos outros músicos e intérpretes. Nos  Prémios Grammy Latino 2000 foi nomeado com o Melhor Álbum flamenco em ‘Suena flamenco’."



"Aclamada como a "Rainha do Flamenco", Concha Buika é filha de refugiados políticos da Guiné Equatorial e cresceu num bairro cigano na ilha espanhola de Maiorca. O New York Times alcunhou a sua música como uma mistura única de flamengo, jazz, soul e blues, "luminoso ... magnífico ... excelente!".
Considerada uma das 50 melhores vozes do mundo pela NPR Music, Buika tem já uma extensa carreira de sucesso em diversos países. Entre as suas glórias, destacam-se a conquista de um Latin Grammy, na categoria de “Best Traditional Tropical Album”, um dueto com Seal para o álbum “Seal 6: Commitment”, a participação no filme “The Skin I Live In” do consagrado cineasta Pedro Almodóvar e, recentemente, com o lançamento do seu novo álbum “La noche más larga”, a primeira nomeação para os Grammy Awards 2014, na categoria de “Best Latin Jazz Album”. No entanto, e apesar de todas as conquistas, é ao vivo que a música de Buika floresce.
A nova alma que a música ganha, a cada palavra cantada Buika, é capaz de arrebatar qualquer plateia, de desassossegar qualquer ser, por menos afectivo e emocional que seja."


Volverás
Yo lloro como el arroyo al llegar al rio, 
yo muero. 
Y muero como el rio al llegar al agua,
de amor yo muero. 

Yo hice lo que pude, te amé como sabia,
y al final de todo tu amor yo no tenía.
Me vuelvo rio y muero… 

Cerró la puerta sin decir adiós 
nunca volví a verla, nunca más volvió, 
como yo te quise nadie, nadie te ha querido 
insensata mía, porque te has ido.
Y me dejaste sola como el mar,
yo vivo como el aire libre 
pero sin saber a dónde va, 
y nadie, nadie te ha querido 
insensata loca, porque te has ido.

Tú volverás, 
y cuando tú regreses amor, 
verás cómo alguien quiso ocupar 
mi pobre corazón, por ti. 
Y ya verás, como tú a mí me pides perdón, 
y yo que ya estoy loca de amor, 
yo voy y te perdono. 

No eran tan falsas aquellas mentiras, 
ni tan verdaderas tus verdades favoritas. 
No fueron tan callados aquellos silencios, 
no fueron tan malos algunos momentos. 

Si ahora te marchas vete para siempre, 
no te des la vuelta que las vueltas siempre duelen, 
y abre la ventana que da al paraíso, 
olvídame si puedes que yo no he podido. 

Tú volverás, 
y cuando tú regreses amor 
verás cómo alguien quiso ocupar 
mi pobre corazón, por ti. 
Y ya verás, 
como tú a mí me pides perdón, 
y yo que ya estoy loca de amor, 
yo voy y te perdono. 
Yo te perdono y tú, tú volverás, 
y cuando tú regreses amor 
verás cómo alguien quiso ocupar 
mi pobre corazón, por ti. 
Y ya verás, 
como tú a mí me pides perdón 
y yo que ya estoy loca de amor 

yo voy.
Cantora : Buika
Letra y música: Javier Limón. 
.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Hoje é dia


" Parece que guardava o claro Céu
A Manuel e seus merecimentos
Esta empresa tão árdua, que o moveu
A subidos e ilustres movimentos:
Manuel, que a Joanne sucedeu
No Reino e nos altivos pensamentos,
Logo como tomou do Reino cargo,
Tomou mais a conquista do mar largo."
Luís de Camões, in " Lusíadas - canto IV, Est.66", Porto Editora

HOJE É DIA
13 de Dezembro, morre D. Manuel I, o rei inesperado
"Hoje é dia de recordar D. Manuel I, que nasceu em Alcochete, no dia 31 de maio de 1469. Foi o 14.º Rei de Portugal, cognominado ‘O Venturoso’, ‘O Bem-Aventurado’ ou ‘O Afortunado', quer pelos factos felizes que o transportaram ao trono, quer pelos que ocorreram durante o reinado. Morreu a 13 de Dezembro de 1521.
Ascendeu ao trono no ano de 1495, de forma inesperada e em circunstâncias excepcionais, sucedendo a D. João II, seu primo direito, de quem se tornara protegido.
Deu seguimento às explorações portuguesas que tinham sido iniciadas pelos antecessores, o que permitiu a descoberta do caminho marítimo para a Índia, do Brasil e das ambicionadas ‘ilhas das especiarias’, as Molucas, determinantes para a expansão do império português.
D. Manuel I foi o primeiro rei a assumir o título de Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação da Arábia, Pérsia e Índia. Em 1521, promulgou uma revisão da legislação, chamada ‘Ordenações Manuelinas’, que foram divulgadas com o apoio da imprensa, recente , no Portugal de então.
Era um homem muito religioso, que investiu parte da fortuna do país na edificação de igrejas e mosteiros, apoiando também a evangelização das novas colónias através dos missionários católicos.
Com a prosperidade resultante do comércio, em particular o de especiarias, realizou numerosas obras cujo estilo  arquitectónico ficou conhecido como ‘manuelino’.
É durante o seu reinado que – não obstante a sua resistência inicial, cumprindo as cláusulas do casamento com Dona Maria de Aragão – viria a autorizar a instalação da Inquisição em Portugal.
Morre em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1521, com 52 anos. D. Manuel I está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Nasceram a 13 de dezembro Werner von Siemens, inventor e industrial alemão (1816), Philip Warren Anderson, físico norte-americano (1923), Dick Van Dyke, ator norte-americano (1925), e José Eduardo Agualusa, escritor angolano (1960).
Morreram neste dia Donatello, escultor italiano (1466), D. Manuel I, Rei de Portugal (1521), Simões de Almeida, escultor português (1926), Fritz Pregl, químico austríaco (1930), Gustave Le Bon, psicólogo francês (1931), Thomas Augustus Watson, assistente de Bell, colaborou na invenção do telefone (1934), Egas Moniz, médico e político português (1955), e Paul Samuelson, economista americano, Nobel da Economia (2009)." PTJornal

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

As notícias em cartoon

Henricartoon

Contest, The New Yorker

Berlich, El País

Cartoon Bandeira, DN

Cartoon Bandeira, DN

Cartoon Elias o Sem Abrigo de R.Reimão e Aníbal F.,JN

Cartoon Elias o Sem Abrigo de R.Reimão e Aníbal F.,JN

Cartoon Paul Thomas, The Daily Express

Cartoon Paul Thomas, The Daily Express

Rodrigo, Expresso

Rodrigo, Expresso

Sipress, The New Yorker

Chapatte, Le Temps ( Genève)

Chapatte, Le Temps ( Genève)

Chapatte, Le Temps ( Genève)

Chapatte, International New York Times

Forges, El País


Cartoon Randy Glasbergen

Cartoon Randy Glasbergen

Cartoon Randy Glasbergen

Henricartoon

Henricartoon
Cartoon Angeli  " Boca do Lobo ", Folha de S.Paulo

Chiclete com Banana, Angeli, Folha de S.Paulo

Piratas do Tietê,  Laerte, Folha de S.Paulo

Le vignette d'ItaliaOggi

Le vignette d'ItaliaOggi

Le vignette d'ItaliaOggi