domingo, 14 de agosto de 2011

Há Música ao Domingo

U2 e o Soweto Gospel Choir  num grande concerto. "Where the streets have no name" é uma excelente melodia  para esta época estival em que as vozes se podem soltar  ao ar livre. A Esperança num Futuro melhor é uma aposta ancestral que se reacende sempre que o Homem quer. A harmonia destas vozes pode ser a pausa que antecede esse momento.



Where the streets have no name
I wanna run, I want to hide
I wanna take down the walls
And touch the flame
Where the streets have no name.


I wanna feel sunlight on my face.
I see the dust-cloud
Disappear without a trace.
I wanna take shelter
From the poison rain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.


We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I'll go there with you
(It's all I can do).


The city's a flood, and our love turns to rust.
We're beaten and blown by the wind
Trampled in dust.
I'll show you a place
High on a desert plain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name.


We're still building and burning down love
Burning down love.
And when I go there
I'll go there with you
(It's all I can do)
Composição: U2

sábado, 13 de agosto de 2011

Roda Viva

Video da apresentação de Chico Buarque  e MPB4 cantando "Roda Viva" no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967.Memória de um passado, onde a liberdade estava coarctada por uma poderosa Ditadura , obrigando, então,  os brasileiros tal como os portugueses à denúncia do flagelo da perseguição através da Música ,da Arte,  da Literatura. Tempo sujo de um passado que não deve ser esquecido para que nunca mais se repita. 
 

Roda Viva
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas rodas do meu coração...(4x)


Chico Buarque

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aniversário de Miguel Torga


Terra , minha medida!
Com que ternura te encontro
Sempre inteira nos sentidos!
Sempre redonda nos olhos,
sempre a cheirar a fermento!
Terra amada!
Em qualquer sítio e momento,
enrugada ou descampada,
Nunca te desconheci!
Berço do meu sofrimento,
Cabes em mim, e eu em ti.
                           Miguel Torga, in " Diário XI"

Miguel Torga, pseudónimo de  Adolfo Correia da Rocha, nasceu a 12 de Agosto de 1907 em S. Martinho de Anta e faleceu em Coimbra, a 17 de Janeiro de 1995.  Assina uma extensa e notável obra com este nome literário  porque torga é a urze, planta humilde, brava e ignota do reino vegetal , que nasce livre e espontânea na agrura das terras, mas predominantemente  nas serras nortenhas, tal como ele , homem transmontano.
“ Inicialmente, ainda com o nome de Adolfo Rocha, Miguel Torga fez parte do grupo da Presença. Dirigiu, depois, com Branquinho da Fonseca, a revista Sinal (1930) e, mais tarde, a revista Manifesto. Mas , com a independência quase agressiva do seu temperamento, cedo se colocou à margem de todos os clãs literários. A sua posição, nas nossas letras, continua a ser a de um grande isolado - que , no entanto ( ou por isso mesmo), consubstancia e representa, da forma mais directa ou através de inevitáveis símbolos , quanto há de viril, vertical, insubornável , no homem português”(1)
“Nascemos sós, vivemos sós e morremos sós” -,escreveu Miguel Torga.
Hoje, dia em que se deve comemorar o  aniversário deste grande poeta, revisitamos o seu Diário e destacamos o que registou no dia em que atingiu os sessenta anos.
"Miramar, 12 de Agosto de 1967Sessenta anos. Felizmente que ninguém deu pela conta, e pude calmamente, secretamente, meditar na significação deste dia crucial. Até há pouco, ia contando. Trinta, quarenta, cinquenta… Não era a juventude , evidentemente, mas havia ainda pano para mangas. Mais vinte , mais quinze…Tempo de sobra, enfim. Agora é que toda a ilusão se desvaneceu. Nem quarteirão, nem dúzia. Inexorável, a razão apenas me promete a decadência e o desenlace, no molho amargo de que tudo está feito e por fazer. É essa, de resto, a grande lição de humildade que a vida nos dá , se a esclerose não lavrou de mais e consente ao espírito o resgate duma lúcida contrição. Vamos seguindo confiados pela estrada fora. De repente, olhamos para trás , e que terramoto de ilusões! O que parecia grande mede um palmo, o que julgávamos sólido abana, o que dava a impressão de voar, patinha. Incrédulos, esfregamos os olhos. Mas não há dúvida. Desacertos sobre desacertos, erros palmares, ingenuidades confrangedoras. O saco de viagem abarrotado de falências. E de nada vale perguntar se as coisas se poderiam passar de outra maneira. Os factos são irreversíveis. No meu caso, então, só por milagre. Comecei mal e tarde. Enquanto outros partiram do saber, eu parti do sofrimento. Nenhuma porta se me abriu sem eu a arrombar. Lutei contra a pobreza, lutei contra a ignorância , lutei contra a idade, lutei contra os homens, lutei contra Deus, lutei contra mim. Uma infância rolada, de bola à mercê dos pontapés do mundo, uma juventude esfalfada, de estafeta atrasado na maratona da cultura , uma maturidade crispada, de indesejável na pátria. A criança desaninhada e perplexa nas encruzilhadas do destino, o rapaz a tentar a ferro e fogo fazer-se gente , o homem cercado de incompreensões. De maneira que era praticamente impossível que a árvore desse outros frutos. Tudo se conjugou nela e fora dela para um Outono sáfaro, que verifico nesta singeleza despida de ilusões. E triste , mas não há voltas a dar-lhe. Resta-me apenas uma consolação: embora derrotado, consegui chegar ao fim da aventura na pureza com que a iniciei, e remir pela consciência dum velho poeta a sangrar a inocência dum jovem poeta de versos de pé quebrado."
Miguel Torga, in “ Diário X “, Círculo de Leitores
(1) in “ Dicionário de Literatura, Direcção de Jacinto Prado Coelho, 4º volume, Editora Figueirinhas /Porto, 1987

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para onde vamos?

Há perguntas que não se fazem, quando não se pretendem respostas. E este é o lema dos governantes que não se entregam à gestão de um país , mas antes à gestão da sua carreira política. Das entrevistas anunciadas ou ocasionais são excluidas quaisquer questões perigosas   sobre a real situação do país. Apenas se eximem artificiosos anúncios de um país em recuperação dos nefastos erros praticados por  políticas de anteriores governos ou pela hodierna crise internacional.  Aos outros se devem colocar essas questões. E de ilusão em ilusão, o desnorte foi crescendo, a miséria grassando e  o país está em derrocada com as  diferentes fragilidades a eclodir.  Hoje,  é o anúncio de uma assustadora dívida acumulada pelas famílias  em créditos vários que se verifica em incumprimento crescente. Leia-se a notícia:
"O incumprimento dos portugueses está a disparar com o agravamento da crise económica e financeira. Só no primeiro semestre deste ano, 31 959 famílias deixaram de pagar as prestações do crédito à habitação e ao consumo, noticia o "i".
Isto significa que, por dia, 176 famílias entraram em incumpri-mento, mais 29% que no primeiro semestre do ano passado - ou mais 40 famílias por dia, refere o jornal, citando dados do Banco de Portugal.

No total, 660.762 famílias tinham prestações de crédito em atraso em Junho, ou seja, 14,3% do total de portugueses com empréstimos contraídos junto da banca (4,62 milhões de famílias) não conseguia honrar os seus compromissos, um agravamento face aos 13,8% do final de 2010." In Jornal de Negócios

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Notícias do Mundo



"Milhares de polícias juntavam-se esta noite aos que já vinham ocupando as ruas de Londres numa tentativa de pôr um ponto final à violência que assola algumas das principais cidades inglesas. Em Londres as coisas estiveram mais calmas, mas nesta quarta noite de violência o rastilho chegou a cidades onde até agora estava adormecido. Manchester era uma das que ainda não tinham sido afectadas. Desde o fim-de-semana foram detidas mais de 1100 pessoas. (em actualização)
Grupos de jovens repetiram cenas de pilhagens a lojas, incendiaram carros e atingiram prédios, enquanto parte da população atemorizada exigia uma actuação mais firme da polícia.
Na capital, carros blindados e colunas de carrinhas com agentes patrulharam as ruas e os 16 mil polícias deverão continuar a mostrar-se durante pelo menos mais um dia. O patrulhamento parece ter surtido algum efeito.
Cenário bem diferente vive-se fora de Londres. Em Manchester, centenas de jovens – a Associated Press diz que alguns parecem ter cerca de 10 anos – tomaram o centro da cidade de assalto, atirando garrafas e pedras à polícia, e vandalizando lojas.
Garry Shewan , um dos responsáveis políticos de Manchester diz que são cenas sem precedentes: «Queremos deixar bem claro que não têm nada por que protestar».
Na origem da onda de violência e vandalismo que se estende já pelo terceiro dia consecutivo em Londres têm sido erguidas várias justificações. Duas jovens britânicas que têm participado nos motins explicaram: «Estamos a mostrar aos ricos que fazemos o que nos apetece».
As primeiras reacções à violência que alastra pela capital inglesa colocava a origem dos motins na morte de Mark Duggam, jovem que foi baleado pela polícia no sábado, mas as justificações têm-se sucedido à medida que a violência cresce a cada dia que passa.
Desta feita, duas jovens entrevistadas pela BBC, enquanto bebiam vinho pilhado logo pelas nove horas da manhã desta terça-feira, justificaram a sua participação nos motins ao dizerem: «Estamos a mostrar aos ricos que fazemos o que nos apetece».
A cadeia de televisão britânica recolheu as declarações das duas jovens em Croydon, um dos bairros que tem servido de epicentro aos actos de violência e vandalismo em Londres."por SOL/AP
O Jornal "The Independent" na habitual retrospectiva fotográfica apresenta-nos as imagens dos acontecimentos que marcaram o mundo nos últimos sete dias.
Assim vai o nosso mundo. Surpreendente  e assustador no seu devir.
Seven Days

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Verão das Livrarias de Paris

L´EXPRESS.fr publicou, em Julho,  reportagens em vídeo sobre o Verão nas Livrarias de Paris. A pertinência das questões colocadas justifica a sua reprodução.  
"L'été des libraires s'annonce-t-il fructueux? Sont-ils en colère, comme leur collègue Emmanuel Delhomme? Quel livre nous conseillent-ils? LEXPRESS.fr est parti en reportage dans trois librairies parisiennes.
Les préoccupations des libraires débordent le cadre de la profession.
D' un Virgin Megastore à la Scop Envie de lire à Ivry, en passant par Les Cahiers de Colette en plein coeur de Paris, que nous disent les libraires?"


Découvrez les extraits des livres qui viennent de paraître. Cliquez ici

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pierre Seghers

  
Pierre  Seghers : uma aventura chamada poesia  
                                                                             por Manoel de Andrade           
                                                                       
                                       «Si la poésie ne vous aide pas à vivre, faites autre chose.
                                        Je la tiens pour essentielle à l’homme autant que les battements de son cœur »
                                                                                  Pierre Seghers, « Le Temps des merveilles»
                                                                 
          Neste verão, em Paris, entre tantos encantos e recantos vistos e revistos, destaco aqui apenas o que mais me interessou como poeta: uma exposição no Museu Montparnasse sobre o grande poeta e editor Pierre Seghers, denominada “Pierre Seghers – Poésie, la vie entière
       Seghers não foi somente o mais célebre editor de poesia do século XX, mas sobretudo  um combatente da liberdade. Nascido em Paris em 1906, onde morreu aos 81 anos, Seghers  em 1938, solidariza-se com a causa libertária da Guerra Civil Espanhola juntando-se a  escritores e artistas que, sob a tutela editorial de Paul Éluard, divulgam seus poemas nas edições clandestinas da revista “Commune”. É  a época em que ele conhece o editor espanhol Louis Jou, o amigo e mestre que o inspira a fundar sua primeira editora, a “Edición de la Tour”, em Villeneuve-les-Avignon. 
          Ainda em 1938 publica “Bonne  Espérance”, seus primeiros poemas reunidos. Com a França invadida pelo exército alemão  ele compreende que  guerra e  poesia são duas faces da mesma moeda e que um poema pode ser uma forma de resistir e de lutar, um grito de liberdade, uma lírica bandeira que resolveu desfraldar naquele primeiro ano da guerra publicando a revista dos Poetas-Soldados, chamada  “PC-39” ou “Poètes casqués”, direcionada para a poesia engajada na resistência, apesar da censura imposta pela ocupação alemã. No ano seguinte, seguindo  os passos de Louis Aragon e apoiado por Éluard, lança uma nova revista chamada “Poésie 40”, e depois, 41 e 42.   
           Em 1944, Seghers dá seu nome à Editora ao transferi-la para Paris. Em 1945 publica “Le Domaine Public” e adere ao Partido Comunista. Nesta nova fase ele revoluciona  a  arte editorial lançando os primeiros modelos de livros de bolso e, sonhando tornar a poesia acessível a todos, lança  sua grande obra como editor-poeta, a série “Poètes d’aujourd’hui”, cujo primeiro título, dedicado a Paul Élouard, consagra-o como precursor na edição  de poetas contemporâneos. Desta célebre coleção, com 256 títulos de poetas de todo o mundo, 147 obras  são mostradas na Exposição de Montparnasse. É  emocionante para um poeta e para os amantes da poesia ver o nome de tantos e tão grandes  poetas ali reunidos, lado a lado,  “vivos” através da obra que deixaram. A maioria são franceses e são muitos para citá-los nos limites deste texto, mesmo aqueles que inspiraram nossos versos da juventude. Lá estavam também Walt Whitman, Federico García Lorca e Fernando Pessoa que desde  sempre viveram na aldeia de minh’alma.  Encontrei nossos Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes e os hispanoamericanos Marti, Neruda, Vallejo, Asturias, Guillén, Ruben Dario, Carrera Andrade, Octavio Paz. Entre  tantos espanhóis estive diante de António Machado, Rafael Alberti, Miguel Hernandez, Juan Ramón Jimenez e Luiz Cernuda e segue com poetas consagrados  do mundo inteiro.
         Entre manuscritos, cartas, fotografias e obras inéditas, vê-se livros abertos em páginas autografadas para Pierre Seghers, reconhecendo a grandeza incomparável de sua dedicação à poesia e expressa em frases  comoventes de poetas como Paul Élouard, Pierre Reverdy, Leopold Sédar Senghor e outros.
         A poesia e a música, como as mais elevadas expressões da alma humana, foram compeendidas pela grande sensibilidade do poeta Seghers, quando disse que a canção e a poesia são irmãs e eis porque publica a biografia de grandes cantores como Aznavour, Brassens, Ferré, como também uma coleção inédita chamada “Poesia e Música” e obras com partituras de  Chopin, Vivaldi, Schubert, Beethoven, Bach, etc.
         Mas não é somente isso. Há densas antologias sobre a poesia chinesa, sobre a arte poética e dramática. Seghers publicou o teatro de Lorca, Ionesco, Pirandelo, Arrabal. A filosofia de Buda, Hegel, Heráclito, Garaudy, Marcuse, Heidegger. O pensamento de sábios como Freud, Oppenheimer, Leonardo da Vinci, Weisenberg, Teilhard de Chardin  e Newton.  Seghers foi  um embaixador da criação lírica do seu tempo  e da  memória da cultura universal,  publicando edições preciosas  sobre a arte na Música, na Literatura, na Pintura e na Política. Não esqueceu de contar a vida de cineastas como Antonioni, Buñuel, Godard, Fellini, Kurosawa, Hitchcock, Polanski e de revolucionários como Mao Tse Tung  e Che Guevara.
         Em 1969, Pierre Serghers cede sua parte na Editora para Robert Laffont e dedica-se exclusivamente a escrever, nascendo daí obras como “La Résistance et ses Poètes 1939-1945”,  “Le Livre d’Or de la Poésie Française”  e  “Anthologie des Poètes Maudits du XX siècle”. E contudo, apesar da importância de sua obra como poeta e ensaísta, é pela incondicional atenção que deu à poesia, como editor, que neste verão sua memória é  reverenciada em importantes  jornais franceses , relembrada por intelectuais de toda a França e, com justiça, consagrada nesta exposição em Paris.  
     Creio que esta exposição, aberta até 7 de outubro,  será para muitos, como foi para mim, uma grata e misteriosa descoberta. É como se, pela primeira vez, alguém nos revelasse a real importância da poesia. Seus segredos, sua transcendência,  seu luminoso itinerário na história, seu mágico significado no coração dos homens. Foram mais de dois mil poetas publicados  em seus cinquenta anos de editor. É  como se naquelas salas tudo estivesse impregnado do seu amor pela poesia, porque sua vida foi tão somente  uma aventura chamada “poesia”. E é dessa palavra que nascem as raízes  do combatente, do editor e do escritor. Num país com um Panteão com tantos heróis, uma glória singular: a glória de uma vida inteira dedicada à poesia.
                                                                              Paris, 6 de agosto de 2011


domingo, 7 de agosto de 2011

Há Música ao Domingo

Andrea Bocelli & Heather Headley  num extraordinário dueto da famosa canção "The Prayer" do álbum "Under The Desert Sky" , gravada em 2006, no "Lake Las Vegas Resort".Esta canção tem sido interpretada por grandes cantores , todavia esta interpretação é  um excepcional  registo  para brindar este 1º Domingo de Agosto. 



The Prayer
I pray you'll be our eyes, and watch us where we go.
And help us to be wise in times when we don't know.
Let this be our prayer, as we go our way.
Lead us to a place, guide us with your grace
To a place where we'll be safe.


La luce che tu dai
Nel cuore restera
A ricordarci che
L'eterna stella sei.


I pray we'll find your light,
And hold within our hearts
And stars go out each night,
Ai,ai....................


Nella mia preghiera
Quanta fede c'e.
Lead us to a place ?


Let this be our prayer
When shadows fill our day
Guide us with your grace


Give us faith so we'll be safe.
Sogniamo un mondo senza piu violenza,
Un mondo di giustizia e di speranza.
Ognuno dia una mano al suo vicino,
Simbolo di pace...di fraternita.


La forza che ci dai
E desiderio te
Ognuno trovi amor
Intorno e dentro se.
Let this be our prayer,
Just like every child.

We ask that life be kind
And watch us from above.
We hope each soul will find
Another soul to love.
Let this be our prayer,
Just like every child.


Needs to find a place, guide us with your grace
Give us faith so we'll be safe
E la fede che hai acceso in noi
Sento che ci salverai...

sábado, 6 de agosto de 2011

Assim vai o Mundo

Todos os dias são relatados casos que nos espantam pela indignidade e desumanidade que encerram.No mundo, morrem todos os dias pessoas diversas. Muitas delas são vítimas de doença . E a  doença nunca é solitária. Além de ter nome e devastação, arrasta uma série de marcadores onde o mais visível  é a vulnerabilidade.
Se tivessemos conhecimento desta realidade  apenas pelos Media  seria porque nunca teríamos entrado num Centro de Saúde ou num Hospital.
Há dois dias, entrei no Serviço de Urgência de um Hospital público português para acompanhar um doente com uma crise renal. A sala de espera estava sobrelotada. Desde gente em macas a pessoas gemendo, algumas  sentadas , outras de pé porque já  não havia  cadeiras, o desamparo estava generalizado  e  era avassalador. Acabava de entrar noutro mundo. O choque que  me provoca esta realidade é sempre  violento . Eram 7 horas da tarde. Aos poucos  fiquei a saber que estavam doentes nesta sala desde as 9 horas da manhã à espera de serem atendidos, sem que fossem informados da demora  ou fossem minimamente aliviados das dores que os acometiam. Dois funcionários no balcão da recepção diziam-se alheios a esta situação e sem conhecimento para prestarem explicações. Gradualmente as queixas foram aumentando até que surgiu alguém, pressupostamente uma  responsável pelos Serviços, para apenas proferir que quem não quisesse esperar mais que se fosse embora. E como se isso não bastasse, abandonou, de imediato, a sala, sem mais acrescentar. Em surdina, algumas pessoas reclamavam, mas  o espanto e a resignação venceram.  Eram os sintomas da vulnerabilidade  que debilita tanto quanto a doença. E é nesse reino de (in)sensível (in)sanidade que acorrem os doentes na busca de cura ou de lenitivo para um mal que deles se apoderou.
O doente com crise renal foi atendido perto das 2 horas da manhã.
Entretanto, nos Estados Unidos da América há quem se faça prender para poder ser atendido num Hospital porque o acesso aos serviços de Saúde  não é universal. Será que lá a par dessa incompreensível e injusta  fatalidade também se sofre o rude e longo desespero na hora do atendimento? 
O insólito de uma  notícia propalada pelos orgãos de comunicação social  leva-nos a transcrevê-la. Aqui fica para vós.


"Um norte-americano de 59 anos tentou roubar um dólar na caixa de uma agência bancária para poder ser detido e enviado para a prisão. O objectivo era ser tratado no hospital prisional a uma doença que necessitava de cuidados urgentes.
James Varone, 59 anos, sem seguro de saúde, necessitava de ser internado urgentemente para tratar uma hérnia discal. Então,planeou um assalto a uma agência do Banco RCB, no estado da Carolina do Norte, nos EUA.
Para tanto, escreveu numa folha: "Isto é um assalto, por favor quero um dólar". Entrou na referida agência bancária, entregou ao caixa e esperou, calmamente, o aparecimento da polícia. O agente não se fez tardar. Apareceu, tomou conta da ocorrência e deteve o homem.
Às autoridades, Varone disse a verdade: estava desempregado e precisava de um tratamento gratuito urgente na cadeia.
O homem garante que está a ser bem tratado na prisão e que conta, ainda, receber dinheiro da segurança social, o que o ajudará a arrendar uma casa.
Reconhece que o seu plano só falhou numa coisa: roubou pouco dinheiro, e, por isso, foi acusado de pequeno delito. Ou seja, vai ter uma estadia na cadeia mais curta do que pretendia."in JN

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Meditar o país

 Numa altura em que "Pensar o país " é de novo urgente, eis o que Vergílio Ferreira escreveu sobre nós e os outros que nos rodeiam nesta Europa tão (des)irmanada.
"Pensar o meu país. De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não. Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso. Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo». O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados. O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício. O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso. O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria. O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela. Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco — e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia?"Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente 2"

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

E POR VEZES


                        E por vezes as noites duram meses
                        E por vezes os meses oceanos
                        E por vezes os braços que apertamos
                        nunca mais são os mesmos  E por vezes

                        encontramos de nós em poucos meses
                        o que a noite nos fez  em muitos anos
                        E por vezes fingimos que lembramos
                        E por vezes lembramos que por vezes

                        Ao tomarmos o gosto aos oceanos
                        só o sarro das noites não dos meses
                        lá no fundo dos copos encontramos
   
                        E por vezes sorrimos ou choramos
                        E por vezes por vezes ah por vezes
                        Num segundo se evolam tantos anos

                        David Mourão Ferreira, in "Matura Idade", 1973

Notícias à volta da Terra

A Terra está a ficar mais redonda
"Degelo nos polos faz aumentar massa no Equador.Uma nova análise à Terra permitiu verificar que tem havido um aumento das medidas terrestres na região equatorial que é causado principalmente pelo degelo na Gronelândia e na Antárctida.
Cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos revelaram, num artigo publicado na “Geophysical Research Letters”, que, por ano, as duas regiões polares perderam juntas 382 biliões de toneladas de gelo, que, derretido, segue em direcção às áreas equatoriais e modifica a distribuição de massa na Terra.
Esta conclusão coloca um ponto final num mistério que já durava há duas décadas, quando se percebeu que o formato da Terra, achatado nos polos, vinha a sofrer alterações, tornando-se mais arredondado.
A forma achatada deve-se ao facto de que, há 22 mil anos, vários quilómetros de gelo cobriam boa parte do hemisfério norte, pressionando a superfície para baixo. Com o degelo ao longo dos séculos, a pressão sobre a superfície diminui e o solo voltou a expandir-se nos polos, fazendo com que o planeta ficasse mais esférico.
Segundo esta nova análise, a zona do Equador está a aumentar 71 centímetros por década, sendo que, actualmente, a distância até o centro da Terra (o raio terrestre) a partir do Equador é 21 quilómetros maior do que nos polos. Contudo, os especialistas acreditam que, com o tempo, a massa do planeta vai readequar-se." In "CiênciaHoje"


Primeiro asteróide “troiano” descoberto junto à Terra
2010 TK7 foi detectado pelo telescópio WISE
"Um pequeno asteróide de 300 metros de diâmetro acompanha o movimento da Terra à volta do Sol, procedendo-a na sua órbitra. Trata-se do primeiro asteróide “troiano” deste planeta - o 2010 TK7 -, e foi detectado  pelo telescópio WISE, da NASA.
Segundo um artigo publicado na revista
“Nature”, o asteróide está a 80 milhões de quilómetros da Terra, que é agora o quarto planeta do sistema solar que tem a “companhia” de pelo menos um asteróide "troiano”, depois destes elementos serem conhecidos em Júpiter, Marte e Neptuno.
O termo “troiano” é utilizado para designar os asteróides posicionados na órbita de um planeta, num ponto de equilíbrio estável, designado pontos de Lagrange, no caso o ponto 4 (L4) da órbita terrestre, 60 graus à frente do nosso planeta. Desta forma, o asteróide segue o planeta no seu movimento de translação, precedendo-o, segundo um ângulo bem definido.
O 2010 TK7, no entanto, não está exactamente no L4. As observações indicam que oscila a sua rota, fazendo com que também varie a sua órbita para o ponto Lagrange 3 em períodos de 400 anos.
"Como precede o movimento da Terra ou o segue, não entra nunca em colisão", destacaram especialistas da NASA, acrescentando que está previsto que, nos próximos cem anos, não se aproxime a menos de 24 milhões de quilómetros da Terra.
Já há muito que os cientistas acreditavam que a Terra poderia ter asteróides “troianos”, mas só agora constataram a sua presença, difícil de ser observada, pois ficam, em geral, mergulhados na luz solar. Contudo, a detecção do asteróide 2010 TK7 foi facilitada porque estava numa "órbita incomum que o afastou bastante do Sol", explicaram os investigadores." In CiênciaHoje"

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Novos Livros em Agosto

No final de Agosto estarão nas livrarias três novos livros editados pela Dom Quixote. Herta Muller,  galardoada com o Prémio Nobel da Literatura e   Miguel Real, autor de muitas e grandes obras, são escritores já publicados em Portugal, apenas o australiano Christos Tsiolkas, vencedor do Commonwealth Prize e finalista do Booker Prize, é uma estreia.
"Hoje Preferia não Me Ter Encontrado" de Herta Müller
Sinopse:«Na viagem de eléctrico que a leva às instalações da Polícia Secreta, hora marcada, dez em ponto, a jovem narradora vê a sua vida passada em revista: a infância na cidade de província, a fixação semierótica no pai, a deportação dos avós, o casamento ingénuo com o filho do “comunista perfumado”, a felicidade precária que vive com Paul, apesar do fardo que a bebida impõe ao amor que ela lhe dedica.
Quase chegada ao destino, levanta-se de repente uma altercação no carro eléctrico que leva o guarda-freio a saltar precisamente a paragem em que devia sair. Vê-se numa rua desconhecida, onde descobre Paul com um velho de aspecto suspeito. Decide então não comparecer ao interrogatório.»
"A Guerra dos Mascates "de Miguel Real
Sinopse:«Recuperando e desenvolvendo a obra homónima de José de Alencar escrita no século IXI – da qual ressuscita personagens que cruza com ícones históricos e algumas das figuras permanentes dos seus «romances brasileiros» –, Miguel Real oferece-nos com A Guerra dos Mascates a narrativa de um confronto entre pequenos comerciantes e aristocratas que mobilizou a totalidade da população das cidades de Recife e Olinda no século XVIII.
Amor romântico e ódio colectivo, febre de fé e febre de dinheiro, dignidade social e vingança pessoal, conjugam-se na descrição de personalidades inesquecíveis do cândido ao malévolo para compor um romance deliciosamente irónico que confirma Miguel Real como um dos mais portentosos ficcionistas da actualidade.»
"A Bofetada" de Christos Tsiolkas
Sinopse :«Durante um encontro de amigos, um homem dá uma bofetada a uma criança de três anos. Trata-se de um acto isolado, mas as suas repercussões vão fazer-se sentir nas vidas das oito pessoas que o testemunham de perto. As suas lealdades e paixões são postas à prova, redefinidas, extremadas. Para as oito personagens, aquele é um momento transformador. Uma a uma, as suas vozes vão dar início a uma caleidoscópica e inquietante viagem aos limites do amor, do sexo, do casamento e da família. Celebrado pela crítica e pelos júris dos mais importantes prémios literários, este é um livro fracturante e controverso."
A Bofetada, primeiro romance do autor a ser publicado em Portugal, vencedor do Commonwealth Prize e finalista do Booker Prize, será brevemente adaptado para televisão, no formato de série.»

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando o Amor Morrer Dentro de Ti

Quando o amor morrer dentro de ti,
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.
Ruy Cinatti, in “Obra Poética”

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As cores de Londres em tempo de guerra



"Para assinalar o 70.º aniversário da campanha de Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial, "V for Victory" (19 de Julho de 1941), a "Time-Life" divulgou fotos a cores inéditas de Londres durante o conflito.
As imagens mostram a cidade devastada por ataques aéreos alemães, que não cumpriram, no entanto, o seu objectivo principal de desmoralizar o povo britânico e destruir a economia de guerra do país. Mesmo assim, mais de um milhão de casas na cidade ficaram destruídas ou seriamente danificadas e cerca de 20 mil civis perderam a vida (metade do número de mortos em todo o país).
"Esses foram os tempos, quando os ingleses, e particularmente os londrinos, que se distinguiram, foram vistos no seu melhor. Abatidos e alegres, persistentes e prestáveis, com a confiança nos seus ossos de povo não conquistado, adaptaram-se a esta estranha nova vida [dos bombardeamentos], com todos os seus terrores, com todos os seus choques e abalos", escreveu Churchill, que na altura era primeiro-ministro britânico, nas suas memórias de guerra.
"A velha Londres é um símbolo odiado por tudo aquilo que torna os ingleses superiores. Durante seis meses, os nazis bombardearam a capital britânica, dia e noite, e só fizeram mossas. Na noite de 29 de Dezembro tentaram pegar-lhe fogo. Nessa noite os bombardeiros alemães largaram cerca de 10 mil bombas incendiárias de duas onças (0,90 quilos)", na descrição da revista "Life" em Janeiro de 1941.
"V for Victory" foi o grito moralizador para o povo britânico, uma demonstração de que o objectivo de Hitler de vergar o Reino Unido não seria alcançado. O apelo ao uso da expressão foi lançado a milhões de pessoas por toda a Europa. A ideia era escrever a letra "V" em todos os lugares possíveis - ruas, edifícios, muros. A campanha tornou-se viral após milhares de soldados, mulheres e jovens de países invadidos por alemães terem recebido a mensagem através da rádio pela voz de um homem misterioso que dava pelo nome de Colonel V. Britton e que trazia uma mensagem especial de Winston Churchill."Por Sara Sanz Pinto, Publicado em 23 de Julho de 2011, no jornal I
Veja mais em LIFE.com gallery.

domingo, 31 de julho de 2011

Ao Domingo há Música

"O soave fanciulla" da ópera de Giacomo Puccini, " La Bohéme", nas vozes de Anna Netrebko e Rolando Villazon, em 2006, num concerto na Alemanha, em Berlim. Num Domingo estival, os sons eufónicos desta universal melodia podem amenizar a força agreste de um dia que nasce quente.
 

sábado, 30 de julho de 2011

Lisboa em Festival

O Festival do Oceanos está de regresso a Lisboa, entre 30 de Julho e 13 de Agosto, para uma edição, que promete refrescar o Verão da capital, com diversos eventos de acesso gratuito.
Concertos, espectáculos de rua, museus abertos à noite, exposições, animação de rua e diversas actividades interactivas, dirigidas a públicos de todas as idades, fazem parte da programação desta iniciativa do Turismo de Lisboa que, durante duas semanas, anima o Eixo Ribeirinho da capital portuguesa.
A temática deste ano aborda conceitos como a Universalidade, a Sustentabilidade e o Entretenimento.
Esta é uma iniciativa reconhecida nacional e internacionalmente, que se insere no calendário anual de eventos culturais em Lisboa. O Festival dos Oceanos é já uma marca da cidade, atraindo uma média de 350 mil pessoas em cada edição, cumprindo, assim, o objectivo de combater a sazonalidade e aumentar o fluxo de turistas em Lisboa, durante o mês de Agosto.(in site do Festival)
Saiba mais em :
Festival dos Oceanos

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Primavera em Marte

Enquanto o Algarve torra sob um sol intenso e estival , pelas veredas desse imenso Universo a Primavera afirma-se em planetas longínquos que na mira das investigações científicas se nos vão revelando. Hoje , aportaremos em  Marte.
Mars’ south pole
Primavera no Pólo Sul de Marte
A nave da ESA Mars Express celebra oito anos no espaço com uma nova imagem de gelo na região do pólo sul marciano. Os pólos estão directamente relacionados com o clima do planeta e mudam com as estações. Estudá-los é um importante objectivo científico da missão.

region around Ulyxis Rupes
Ulyxis Rupes em contexto
Em cerca de dois terços da imagem está parte das calotes de gelo e outros depósitos de gelo dispersos, próximo de uma estrutura conhecida como Ulyxis Rupes. O lado esquerdo da imagem é dominado pelo escudo de gelo das calotes, coberto por pó escuro que esconde os gelos brilhantes que estão por baixo.
Neste local, a mais de 1000 km do próprio Pólo Sul, o gelo é relativamente fino: dados de radar indicam que tem apenas cerca de 500 metros de espessura, enquanto próximo do Pólo Sul pode atingir mais de 3,7 km.

No entanto, nas falésias viradas para norte as camadas de gelo e pó são distinguíveis. Fazem parte dos depósitos polares distribuídos em camadas. As falésias são com frequência encurvadas, o que pode querer dizer que são modeladas por crateras de impacto que estão por baixo.
Elevation of Ulyxis Rupes
Elevações de Ulyxis Rupes
Mais para norte da camada de gelo, a meio da imagem, há grandes depósitos de gelo cobertos por dunas, formadas pelos ventos predominantes nesta região. A orientação das dunas faz pensar que o vento deve vir predominantemente de noroeste.
Estruturas em destaque em Ulyxis Rupes
elevação nesta região diminui marcadamente do sul para o norte, descendo em degraus cerca de 1500 m no total, da esquerda para a direita a longo da imagem.

Ulyxis Rupes in high resolution
Ulyxis Rupes em alta resolução

À medida que aumenta a distância relativamente ao pólo sul, o gelo vai ficando confinado às crateras de impacto maiores, tais como a que está na parte superior direita da imagem. As crateras acabam por apresentar uma melhor protecção. O gelo está ligeiramente inclinado para norte, porque com a luz do sol a vir do norte, as paredes a sul da cratera aquecem mais, derretendo o gelo. Ulyxis Rupes é uma grande falésia e é a única estrutura com nome nesta imagem (‘rupes’ é a palavra latina para falésia). Com um comprimento de 390 km e uma altura até 1 km, é visível na parte superior direita da imagem, onde atinge a superfície esquerda da cratera.
Ulyxis Rupes in perspective
Ulyxis Rupes em perspectiva
No quarto inferior direito da imagem, no pó marciano, poder ser observadas intrigantes estruturas paralelas. Apesar de a sua origem ser incerta, é possível que sejam o resultado de depósitos de gelo que estão por baixo, permanentemente gelados, já que estão protegidos pelas camadas de pó e pedras.
A imagem foi tirada em Janeiro de 2011, durante a primavera no sul de Marte. Agora é verão nesta região, mas quando o inverno começar, em Março de 2012, as temperaturas irão descer novamente e irá acumular-se mais gelo. A Mars Express estará à espera.In "ESA Portal-Portugal"

Ulyxis Rupes in 3D
Ulyxis Rupes em 3D

Saiba mais sobre o espaço : ESA Portal - Portugal - A galáxia Andrómeda em vários tons

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Man Booker Prize 2011

São treze os candidatos que constam da Lista para o Man Booker Prize 2011, entre os quais está um que já venceu o galardão, o britânico Alan Hollinghurst.
O popular escritor Julian Barnes é candidato pela quarta vez ao prémio literário mais importante do Reino Unido, mas nunca o conquistou. O autor terá a sua quarta oportunidade com a obra "The Sense of an Ending". O já galardoado Alan Hollinghurst é apontado como um dos favoritos por alguma imprensa britânica com o seu romance "The Stranger's Child", segundo a lista de candidatos divulgada.
A lista prossegue com o irlandês Sebastian Barry, com a obra "On Canaan's Side", autor que já tinha sido apontado para o prémio de 2010.
Carol Birch, com "Jamrach's Menagerie", Patrick deWitt, com a obra "The Sister Brothers", Esi Edugyan, com "Half Blood Blues", e Ywette Edwards, com "A Cupboard Full of Coats", continuam a lista. Entre os possíveis vencedores estão ainda Stephen Kelman (Pigeon English), Patrick McGuiness (The Last Hundred Days), A.D. Miller (Snowdrops), Alison Pick (Far To Go), Jane Rogers (The Testamente of Jessie Lamb) e D.J. Taylor (Derby Day).
No dia 6 de Outubro, a lista de candidatos será reduzida para seis autores e o prémio será entregue no dia 18 de Outubro, em Londres.
O vencedor do Man Booker Prize recebe cerca de 57 mil euros. Este prémio está aberto a escritores de ficção de Inglaterra,da Irlanda e da Commonwealth.Notícia divulgada pela Agência Lusa