quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Este Mar do Algarve

Uma após uma as ondas apressadas
Enrolam o seu verde movimento
E chiam a alva 'spuma
No moreno das praias.

Ricardo Reis, 23.11.1918 , (Obras de Fernando Pessoa)
O Algarve fecha o meu país. É a orla que o delimita a Sul, numa  costa alcantilada  de traçado irregular. Ora  se esvaece em alguns pontos para logo, em soberba posição,  se agigantar num promontório  imponente. Falésias, ilhas, ilhotas, braços de areia na foz dos rios,  assombrosas rias de fauna e flora primevas,  recortes  em baías magníficas, o Mar tem no Algarve uma das suas obras de mais  fino e prodigioso desenho.
Se, no Verão, este Mar se solta em assédio permanente a quem o procura,  no Outono embravece, em inesperada fúria, sem  que o encanto o abandone. Os dias de  fúria  esvaziam-no em  batalhas de espuma. As praias quedam-se perante tamanha força. As areias acomodam-se ao  ritmo acelerado deste novo Mar  e entregam-se  às suas águas. É o findar de um calcorreio estival que lacerou a sua pele. Agora é o tempo de lavar o corpo e de retomar a cor através de uma revolta agitação que as embrulha mar adentro para as soltar e repor frescas e renovadas.
E é o espanto primeiro que nos prende a este Mar. Numa tarde de Outono, o apelo agitado que nos lançou , levou-nos da Marina de Portimão à Ria do Alvor. E de assombro em assombro, fomos registando as faces que nos quis mostrar.








  











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