terça-feira, 4 de março de 2014

A melodia sem contorno

CAFÉ

Entrei no Café com um rio na algibeira
 e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
 - a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
a melodia sem contorno
deste acaso de existir
- onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira, in " POESIA – III”, Portugália Editora, 2ª edição (1963)

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